Eli Manning aposenta: conheça sua vitoriosa carreira

Eli Manning aposenta: conheça sua vitoriosa carreira

2
510
0
quinta-feira, 23 janeiro 2020
Futebol Americano

Após 16 anos, Eli Manning anunciou nesta quarta feira, 22, sua aposentadoria dos gramados da NFL. O jogador encerra seu ciclo na liga com dois títulos de Super Bowl, dois MVP’s da grande final e um Walter Payton Man of the Year. Sua carreira é uma dúvida entre aqueles que defendem sua entrada no Hall da fama e aqueles que acreditam que o quarterback teve sorte em sua jornada, afinal não é qualquer um que vence Tom Brady duas vezes no maior jogo do esporte.

O anúncio

Na noite de ontem, 22, o quarterback pediu aos Giants que convocassem uma entrevista coletiva para sexta feira, 24. Causando grande burburinho,o anúncio oficial veio através das redes sociais do time que defendeu durante toda a carreira. A expectativa é de que ele explique seus motivos para a grande torcida que a equipe possui.

Família esportista

Eli é filho de Archie Manning, lendário quarterback do New Orleans Saints e irmão de Peyton Manning, um dos maiores jogadores da história. Desde muito pequeno ele quis ser atleta, afinal, com um incentivo familiar gigantesco é impossível não tentar. Quando criança, jogou futebol americano e basquete pela Isidore Newman School. Em sua carreira no High School, Eli lançou para 7.389 jardas e 89 Touchdowns. Essas marcas  não só garantiram vaga em uma universidade de elite, como trouxeram os holofotes para si, até porque ele precisava escolher uma Faculdade para defender.

O jovem optou pela Ole Miss University, organização em que seu pai fez história. Seu irmão Peyton havia escolhido a Universidade do Tennessee anos antes, fato que irritou os fãs de Ole Miss. Quando chegou a hora certa, Eli seguiu os passos do pai, alcançando a redenção perante àqueles que se sentiram “traídos” por Peyton.

Carreira universitária

Com grande expectativa sobre a jovem promessa, a equipe de Ole Miss apenas o colocou na titularidade no ano seguinte. Em respeito às tradições hierárquicas do futebol americano, um jogador novato, geralmente, não é titular em seu primeiro ano. Manning finalmente estreou, em 2000, fazendo jus à grande vontade da torcida de vê-lo em campo.

Em 4 anos na titularidade da equipe, Manning bateu ou igualou 45 recordes e obtendo números certamente expressivos. 10.119 jardas, 81 passes para touchdown e um rating impressionante de 137.7. Com uma campanha vitoriosa de 10 triunfos e apenas 3 derrotas, a equipe derrotou Oklahoma State no Cotton Bowl, pelo placar de 31×28. Eli fez parte das equipes do All American, que nomeia os melhores jogadores universitários, e foi MVP do Cotton Bowl. Foi à partir dali que Manning sabia que estava pronto para iniciar sua jornada no futebol americano.

Draft

Eli Manning se declarou elegível para o draft de 2004, entrando como a grande sensação daquele ano. Selecionado na primeira escolha geral, o jogador foi parar nas mãos do San Diego Chargers. Equipe de pequena expressão, perfeita para um bom início de carreira, mas com mercado pequeno demais para alguém do porte de Eli Manning. Um pouco antes do draft, os agentes do atleta informaram a franquia de San Diego que não possuíam interesse em jogar pelo time. Essa conversa se tornou pública, polemizando ainda mais a sua chegada à liga.

Após a escolha,  Manning informou que não jogaria nos Chargers e queria ser trocado para uma franquia de seu interesse. Como resultado dessa troca, Manning foi parar em Nova York, mais precisamente nos Giants. O motivo da troca nunca foi revelado, mas dizem que foram questões de competitividade que pesaram.

Os termos do negócio foram:

Chargers recebe: Philip Rivers, e escolhas de primeira, terceira e quinta rodada.

Giants recebe: Eli Manning.

Sem dúvida foi um excelente acordo para os Chargers, ao menos naquele momento.

Início da carreira profissional

Recém chegado em New York e custando caro aos Giants, Manning iniciou seus treinos com status de titular. Disputando posição com uma lenda do futebol, Kurt Warner, ele conseguiu aos poucos seu espaço na equipe. A jovem promessa foi titular em sete jogos, vencendo apenas um e levando a equipe para pífio recorde de 6-10. Inclusive, o arrependimento chegou a bater em parte da torcida, já que ele teve uma partida com rating zerado, contra o Baltimore Ravens.

No ano seguinte veio a redenção. Cercado de dúvidas e sem Warner no elenco, os Giants depositaram toda sua confiança na evolução do jogador. Manning dava sinais de que era o nome certo para a evolução da equipe. Com números interessantes nos primeiros jogos, ele passou uma bela impressão até mesmo nas derrotas. Por mais que ele passasse uma imagem positiva, ainda era um “novato” na posição de titular e necessitava de cuidados para seu desenvolvimento. Apesar de todo receio, a torcida o abraçava e sabia que ele se tornaria um dos grandes quarterbacks da franquia. Logo após o fim daquela temporada regular, Manning alcançou o top 5 de sua posição em touchdowns e jardas. Orquestrando o ataque a produzir 422 pontos, inesperadamente se tornando a melhor marca desde 1963, rendendo a divisão leste da NFC.

Em sua primeira partida de playoff, Manning caiu frente ao Carolina Panthers pelo placar de 23 x 0. Foram três interceptações na conta do jogador. Entretanto, conseguiu vencer a divisão, algo que o torcedor não esperava.

Auge

O auge de sua carreira se resume às conquistas dos Super Bowl 42 (2007-2008) e 46 (2011-2012). Seu desempenho em playoffs rendeu destaques, principalmente nas partidas mais complicadas. No ano de 2007, chegaram à pós-temporada como último colocado na repescagem. Manning e seus companheiros venceram três jogos fora de casa antes de enfrentar os invictos Patriots de Bill Belichick e Tom Brady. Embora ter chego no Super Bowl fosse algo notável, a expectativa era de que New England confirmasse o favoritismo. Com o incrível recorde de 18-0 até ali, os Patriots chegavam à grande final com a moral lá no alto.

Super Bowl XLII

Por consequência dos acontecidos naquele ano, o Super Bowl 42 quebrou recordes de audiência, trazendo todos os holofotes para Giants e Patriots. Perdendo por quatro pontos no último quarto, Manning teve 2:42 minutos para conseguir um drive da vitória, uma vez que poderiam gastar o relógio e pontuar no apagar das luzes. Eram 84 jardas para um inspirado quarterback, por outro lado, havia a forte defesa dos Patriots. Naquela campanha, David Tyree e Eli fariam uma das mais incríveis conexões que o esporte já viu, o Helmet Catch.

Com 1:15 faltantes e uma terceira descida no relógio, os Giants tinham apenas uma opção, ou convertiam, ou perdiam o jogo. Foi então que veio o snap, Eli quase cai ao escapar do sack de três defensores, quando tudo parecia perdido vêm o arranha céu. Inesperadamente, sob marcação dupla, Tyree recebe a bola com uma das mãos, apoiando-a em seu capacete. 39 jardas de uma inacreditável conexão. Dali em diante faltavam 56 segundos no relógio, com os Giants na eminência de um touchdown. Com 35 segundos faltantes, Manning recua no pocket e com precisão milimétrica passa a bola para Plaxico Burress, dando números finais ao jogo.  Ele sabia que havia se tornado um ídolo.

Super Bowl XLVI

Nos meses que antecediam a grande final, Manning declarou ser um quarterback elite, no mesmo escalão de Tom Brady. A afirmação repercutiu mal, gerando revolta entre os amantes do esporte.  Mesmo que tivessem razão, os indignados seriam silenciados na grande noite.

Com pouco tempo no relógio e 88 jardas para percorrer, era dessa forma que ele viraria o jogo, com mais um drive antológico. Logo na primeira jogada, por mais que estivesse muito bem marcado, Mario Manningham recebeu belo passe em direção ao sideline. 38 jardas de pura emoção. Em uma corrida do running back Ahmad Bradshaw, os Giants tinham a intenção de parar na linha de uma jarda para forçar os Patriots a gastarem seu último tempo. Acidentalmente o jogador entra na endzone e deixa os Patriots com 57 segundos no relógio e um timeout, tempo mais que suficiente para um jogador do calibre de Tom Brady.

O drive não evoluiu como esperado, chegando à hail mary final. A bola sai das mãos de Brady e viaja por metade do campo. Quando chega à endzone, o passe é desviado, imcompleto. Por fim, os Giants se sagraram campeões do Super Bowl, onde Eli Manning derruba, mais uma vez, o gigante, se tornando MVP das duas conquistas.

A passagem do bastão

Com ética de trabalho impressionante, Eli se tornou reserva na última temporada. O plano inicial era colocar Daniel Jones, escolha de primeira rodada dos Giants, no banco para que ele aprendesse e fosse lapidado ao longo da temporada. Apesar de tudo, Manning não tinha mais gasolina em seu tanque. Seu jogo não atendia mais às necessidades da atual NFL, sendo prontamente substituído pelo jovem vindo de Duke.

Marcado na história

Sua última temporada não foi como desejava, não houve conquista, não foi uma temporada completa, mas teve gratidão e uma despedida incrível diante de seus torcedores no Metlife Stadium. Eli não foi um dos 10 melhores da história da liga, mas certamente está eternizado no futebol americano.

Hoje fomos nós que perdemos um grande jogador, uma grande personalidade, um grande ícone para a bonita história do esporte. Hall da fama? Sim. Unânime? Não. Mas sem dúvida eternizado nos corações de quem ama o futebol americano.

Obrigado Elisha Nelson Manning, ou melhor, Eli Manning!

Foto em destaque por: Steven Ryan/Getty Images

Victor Ferreira

Victor Ferreira

Jornalista formado pela Universidade São Judas Tadeu. 22 anos e muita paixão por esportes. Encontrei minha vocação dentro do futebol americano e dos esportes eletrônicos. Pretendo trazer, durante[...]

27 posts | 0 comments

Comments are closed.