Cultura Poliesportiva – 9 canções brasileiras que exaltam o futebol e seus ‘artistas’

Cultura Poliesportiva – 9 canções brasileiras que exaltam o futebol e seus ‘artistas’

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sexta-feira, 24 março 2017
Futebol Brasileiro

A relação entre música brasileira e futebol é antiga e rica. E vai além de sambas e choros, gêneros comumente associados ao esporte bretão. Provavelmente começa com Pixinguinha, um dos maiores da nossa música, e vai até os dias atuais, passando por Mutantes e Chico Buarque. Abaixo, o leitor confere uma lista de nove dessas canções – há ainda um link para escutá-las através de uma playlist criada no Spotify – e um pouco da história delas:

Pixinguinha Luiz Carlos Barreto Divulgação

Pixinguinha talvez tenha sido o primeiro de nossos músicos a compor o futebol – Foto: Luiz Carlos Barreto/Divulgação

Um a zero (Pixinguinha e Benedito Lacerda) – Choro composto em 1919, após a vitória do Brasil sobre o Uruguai no Campeonato Sul-Americano daquele ano. O jogo ocorreu no estádio das Laranjeiras, que tinha em suas arquibancadas Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. A  seleção brasileira ganhou, naquele dia, seu primeiro título internacional relevante, com gol de Friedenreich, na prorrogação, após empate em zero a zero no tempo normal.

Aqui é o País do Futebol (Milton Nascimento e Fernando Brant) – “Nesses noventa minutos/De emoção e alegria/Esqueço a casa e o trabalho/A vida fica lá fora”. Esses são os versos já cantados, entre outros/as, por Elis Regina, Wilson Simonal e Luciana Mello. A canção, de 1970, foi encomendada pelos produtores do documentário “Tostão: a Fera de Ouro”, que contava um pouco da história do não tão menos genial Eduardo Gonçalves de Andrade, um dos maiores atacantes do nosso futebol. Milton Nascimento é Cruzeiro de coração, time que teve o privilégio de contar com a habilidade de Tostão. Já Brant torcia para o América-MG.

Amor Branco e Preto (Arnaldo Baptista e Rita Lee) – Em 1972, quando foi lançado o LP “Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida”, os Mutantes já haviam gravado um disco, “Mutantes e Seus Cometas no País dos Bauretes”. Por seu contrato com a gravadora Polydor permitir apenas um álbum por ano, a solução para os músicos aproveitarem o primeiro estúdio com mesa de 16 canais do país foi creditar o LP que tem “Amor Branco e Preto” à corintiana Rita Lee. Na época da canção, o Corinthians amargava uma fila de 18 anos sem o título paulista. “Por que será que eu gosto de sofrer?/Vai ver que agora eu dei pra masoquista”, entoa a cantora, com sua bela e límpida voz.

Camisa 10 (Composição: Hélio Matheus e Luís Wagner) – “Dez é a camisa dele/Quem é que vai no lugar dele?” era o que o cantor Luiz Américo perguntava no início da música, fazendo referência à aposentadoria do Rei Pelé da seleção brasileira, após a Copa do México. Gravada em 1973, pouco antes do Mundial da Alemanha, “Camisa 10” pedia ao técnico da seleção à época, Zagallo, mexer no time “que tá muito fraco”. Falava, entre outras críticas à equipe, que “sopraram o Furacão (apelido de Jairzinho)” e que “não fosse a força desse pau (Luís) Pereira/comiam um frango assado na jaula do (Emerson) Leão”.

Camisa 10 da Gávea (Jorge Ben Jor) – A canção em homenagem a Zico, maior ídolo rubro-negro, integra o álbum “África Brasil”, de 1976, que ainda tem a também esportiva “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)”. “Pode não ser um jogador perfeito/Mas sua malícia o faz com que seja lembrado”, canta o flamenguista Jorge Ben, sobre o Galinho de Quintino.

Ponta de Lança Africano (Umbabarauma) – (Jorge Ben Jor) – Faixa que abre o lado A de “África Brasil”, conta a história do “homem-gol”, “um ponta de lança decidido” . A música foi regravada por Jorge Ben, com a participação especial do rapper Mano Brown (que emendou na canção do ídolo suas críticas sociais de sempre), em 2010, pouco antes da Copa da África do Sul.

Cadê o Penalty (Jorge Ben Jor) – “Cadê o pênalti/Que não deram pr’a gente/no 1o tempo?”. Antes de “É Uma Partida de Futebol” (composição de Nando Reis), “hino” clichê moderno do nosso futebol, a banda pop mineira já cantava o futebol, em 1993, no álbum “Skank”. A composição é mais uma do mestre Jorge Ben Jor nesta lista e também faz parte do álbum “A Banda do Zé Pretinho”.

Chico MST Stefano Figalo Brasil de Fato

Chico Buarque atua pelo “seu” Politeama, contra time do MST, de João Pedro Stédile – Foto de Stefano Figalo/Brasil de Fato

O Campeão (Neguinho da Beija-Flor) – Composta em 1979 pela voz que puxa o samba-enredo da escola de samba de Nilópolis, a música foi adaptada por torcidas uniformizadas de vários times e entoada nos estádios desde então. “Domingo/Eu vou ao Maracanã/Vou torcer pro time que sou fã” teve adaptações em São Paulo, por exemplo, onde a torcida do Tricolor paulista substituiu o estádio carioca pelo Morumbi.

O Futebol (Chico Buarque) – Certa feita, o colega José Trajano disse que Chico – torcedor do Fluminense e “dono” do Politeama, clube de várzea do Rio de Janeiro que já contou, entre outros, com Bob Marley em sua equipe – é o músico brasileiro que mais canções fez ao esporte bretão (será?). Nesta, do álbum “Chico Buarque”, de 1989, o compositor – gênio do nosso cancioneiro – presta homenagem a Garrincha, Pelé, Didi, Pagão e Canhoteiro.

*crédito da imagem destacada, dos Mutantes: Divulgação

Leonardo Guandeline

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