Copersucar: a primeira e única equipe brasileira na história da F1

Copersucar: a primeira e única equipe brasileira na história da F1

Like
43
0
segunda-feira, 12 julho 2021
Automobilismo

O Brasil é mundialmente conhecido por sua tradição na Fórmula 1. Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna marcaram a categoria com seus oito títulos totais no campeonato de pilotos. Mas, o que muitos não sabem, é que o nosso país já marcou presença dentre as equipes. Portanto, em mais uma Coluna Bandeirada, conheça a Copersucar, a primeira e única equipe brasileira na história da F1!

Por: Pedro Montanini, Campinas-SP

O início do sonho

Com duas temporadas discretas pela Brabham, Wilsinho Fittipaldi tinha em mente o ambicioso projeto de criar sua própria equipe de Fórmula 1. Já com um histórico rico no automobilismo em geral, inclusive como construtores desde o kart, os irmãos Emerson e Wilsinho tiraram do papel e colocaram em prática em 1973.

Comandada por Ricardo Divila, a equipe de engenheiros (100% brasileiros) projetava o carro do zero. Com o apoio da EMBRAER no desenvolvimento, o financiamento vinha de uma cooperativa de açúcar, a Copersucar. A partir de então, após vários testes animadores, a estreia foi no GP da Argentina em 1975, com o próprio Wilsinho como piloto.

Porém, logo na 13ª volta, o motor pegou fogo por uma falha na mangueira, caindo por água abaixo o ótimo início de corrida. Portanto, seriam duas semanas de trabalho duro de reconstrução até o GP do Brasil.

E valeu a pena. Mesmo sem pontuar no Brasil e no restante do campeonato, era grande o entusiasmo na projeção dos próximos anos, principalmente pela chegada de Emerson Fittipaldi.

Foto: FB-Copersucar Fittipaldi D1

Foto: FB-Copersucar Fittipaldi D1

Chegada de um bicampeão mundial

Ainda em 1975, Emerson Fittipaldi anunciava sua saída da McLaren (que acabara sendo campeã no ano seguinte com James Hunt) e a chegada na Copersucar. Ao lado do bicamepão, Ingo Hoffmann alinhava o segundo carro da equipe da equipe brasileira em 1976, entretanto, conseguiu largar apenas no GP do Brasil.

Emerson pontuou em três corridas, em cada uma delas chegou em sexto, e colocou a equipe em 11º no campeonato de construtores, com três pontos.

Ford-Cosworth DFV 3.0 V8 1976 Emerson Fittipaldi (1976)

Ford-Cosworth DFV 3.0 V8 1976 Emerson Fittipaldi (1976)

A nova pintura amarela

Primeiramente, a novidade em 1977 foi o amarelo nos carros, que se tornaria a cor do automobilismo brasileiro. O autor foi Sid Mosca, que já possuía certa afinidade com Emerson Fittipaldi. Mesmo com algumas ressalvas, a ideia se manteve, e então, o novo carro da Copersucar para os seguintes anos carregaria o amarelo.

Os melhores resultados na temporada foram um 4° lugar na Argentina, Brasil, Estados Unidos e Holanda, totalizando 11 pontos, colocando a equipe brasileira em 9° lugar no campeonato de construtores.

Na temporada seguinte, o melhor ano da Copersucar. Ficou a frente de McLaren, Williams e Renault, com 17 pontos e em 7° lugar. Além disso, o melhor resultado foi no GP do Brasil em Jacarepaguá, um pódio, em 2° lugar. Histórico!

Emerson Fittipaldi guia o carro de Fórmula 1 da Copersucar em 1977 (Foto: Reprodução)

Emerson Fittipaldi guia o carro de Fórmula 1 da Copersucar em 1977 (Foto: Reprodução)

Novo engenheiro, novos problemas

Ano a ano o desempenho da Copersucar vinha melhorando. Gradativamente, o carro tinha suas melhoras, e o ano de 1979 não poderia ter menos expectativas, ainda mais com Ralph Bellamy, engenheiro que participou do projeto da Lotus campeã na temporada anterior, chegando na equipe brasileira.

Primeiramente, o desejo dos irmãos Fittipaldi era claro e objetivo, eles queriam uma Lotus amarela, ou seja, um carro igual ao que conquistou o título em 1978. Entretanto, o resultado foi péssimo. Emerson explicou o porquê: “O carro torcia muito. Ralph quis fazer um passo a mais do desenho da Lotus, com um chassi monocoque que ele achava mais leve. Não funcionava, e foi o grande problema do carro.”

Emerson Fittipaldi marcou apenas um ponto, e como resultado, a Copersucar terminou em 12º no campeonato de construtores. Por fim, se encerrava ali a parceria entre a equipe de Fittipaldi e a cooperativa de açúcar.

Modelo F6 da Copersucar, em 1979 — Foto: Getty Images

Modelo F6 da Copersucar, em 1979 — Foto: Getty Images

Escuderia Fittipaldi vira piada pela mídia

Infelizmente, a equipe brasileira virou chacota. Nas rádios, programas de televisão, em charges, em qualquer veículo de comunicação se aproveitava a oportunidade para atingir a equipe dos irmãos Fittipaldi. 

Wilsinho se lembra: “Na época, ainda não havia uma imprensa especializada como existe hoje em dia. Com exceção de jornalistas como Reginaldo Leme e Lito Cavalcanti, por exemplo, geralmente nós só ouvíamos cobranças, como se vencer na Fórmula 1 fosse uma coisa simples. Isso causou um entendimento errado e infelizmente gerou algumas piadas, prejudicando nosso trabalho na captação de patrocinadores no Brasil.

O fim da equipe brasileira

Primeiramente, sem a cooperativa de açúcar, a Skol chegou a apoiar a equipe financeiramente. Também, a equipe comprou parte da Wolf, uma escuderia que já estava na Fórmula 1 desde 1976, e então, equipe se renovava e ainda fecharam um contrato com Keke Rosberg, à época uma grande revelação e que viria a ser campeão no futuro pela Williams. 

Então, em 1980 a equipe brasileira terminou em 8° no campeonato, com 11 pontos. Foi a temporada de despedida de Emerson Fittipaldi na categoria, com um pódio em Long Beach. 

Os dois anos seguintes tiveram apenas um ponto marcado, com Chico Serra, então companheiro de Keke Rosberg. Portanto, sem mais apoio financeiro e com um desenvolvimento do carro nulo, os irmãos Fittipaldi fechariam as portas, e então, chegava ao fim a trajetória da única equipe brasileira na história da Fórmula 1.

No total foram 44 pontos marcados em 104 GPs.

Wilsinho, Emerson e a equipe Fittipaldi no início do projeto - Foto: Pinterest

Wilsinho, Emerson e a equipe Fittipaldi no início do projeto – Foto: Pinterest

Foto destaque: Dave Hamster/Flickr

Pedro Montanini

Olá! Sou o Pedro Montanini, tenho 21 anos, nascido no Sul de Minas em Varginha (sim, a terra do ET). O esporte sempre fez parte do meu sangue e da minha vida, e escrever para a Rádio Poliesportiva [...]

6 posts | 0 comments

Comments are closed.