Convergência de Mídia Esportiva: um passo fundamental para a comunicação

Convergência de Mídia Esportiva: um passo fundamental para a comunicação

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sábado, 25 fevereiro 2017
Futebol Brasileiro

No último domingo, 19 de fevereiro, o clássico entre Coritiba e Atlético Paranaense, válido pelo campeonato estadual não foi realizado. O motivo? As duas equipes recusaram-se a disputar o jogo, após a determinação da Federação Paranaense de Futebol, por meio do árbitro da partida. O juiz não autorizou a transmissão do jogo, porque os clubes tinham interesse de exibir as imagens da partida pela internet, nas páginas oficiais das redes sociais dos clubes envolvidos. Com a proibição da transmissão, o árbitro buscou evitar conflito com a emissora detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Paranaense pela televisão. Mas quem saiu prejudicado com o imbróglio foram os torcedores, pois as duas equipes não correram atrás da bola. O impasse está diretamente relacionado com um assunto importante para a comunicação em geral: a convergência de mídia esportiva.

O grande estudioso do assunto é Henry Jenkins, pesquisador de mídia norte-americano, considerado um dos mais influentes da atualidade. Jenkins desenvolveu um pensamento voltado para que todas as mídias fossem convergentes, se adaptando à internet.

O pesquisador Henry Jenkins estudou sobre as mídias convergentes. FOTO: Youtube

O pesquisador Henry Jenkins estudou sobre as mídias convergentes. FOTO: Youtube

A ideia desenvolvida por Jenkins consiste em usar a internet como suporte de um canal para distribuição de um produto/informação. Assim, vários tipos de mídia podem ser encontradas num único local, ou seja, na internet. O jornalismo é uma das atividades que absorve essas novas tecnologias para seu aprimoramento e eficácia. A convergência midiática pensada por Jenkins designa uma tendência de que os meios de comunicação estão aderindo para poder se adaptar à internet, ou seja: utilizam tal suporte como canal para distribuição de seu produto/serviço.

Assim, outros tipos de mídia podem ser encontrados na internet. O jornalismo muitas vezes absorve essas novas tecnologias para sua evolução, tendo nascido de uma grande invenção que foi a prensa tipográfica, criada pelos chineses e depois aperfeiçoada por Johannes Guttenberg. A fotografia até hoje usada, há muito tempo habita as páginas dos jornais, ajudando como complemento da comunicação escrita. O rádio e a televisão nos seus primórdios já exibiam conteúdo jornalístico. O rádio e a televisão em seus primórdios já exibiam conteúdo jornalístico. Com o tempo, esses veículos construíram linguagens diferentes dependentes de suas características.

Com o surgimento da rede mundial de computadores, a internet, os meios de comunicação ditos “convencionais” sofreram perdas de audiência, no caso de rádio e televisão, e também em número de assinaturas, no caso das mídias impressas. As grandes empresas do setor, já sabendo que não poderiam concorrer com essa nova tecnologia, foram inteligentes e a ela se aliaram. Com isso, o conceito de convergência está formado. Com ele, várias mídias podem ser encontradas na internet. Este processo não aconteceu automaticamente, mesmo porque ele é contínuo. A tendência já chegou ao Brasil, primeiramente com as empresas multinacionais, que posteriormente foram seguidas pelas nacionais.

Os jornais impressos, por exemplo, adotaram a convergência, tendo em vista que a maioria deles já possui site na internet. Além disso, existem diferentes formas de se exibir o conteúdo dos mesmos. Alguns deles, disponibilizam seu material que sai impresso na rede, outros, disponibilizam apenas para assinantes. Além disso, existem também os que só oferecem no site algumas matérias, com conteúdo exclusivo somente para quem é assinante e paga mais por isso. Entretanto, todos os veículos fazem uso da internet para interagir com o público. Um bom exemplo de convergência midiática é o uso de conteúdo em vídeo por empresas de jornais impressos em seus respectivos sites.

O rádio, por exemplo, também obteve mais espaço entre seus amantes por conta da internet. Com o surgimento das web rádios, o alcance das transmissões passou a ser mundial, e a convergência midiática possibilitou a qualquer usuário inserir produções radiofônicas na rede, sem precisar de uma concessão do Ministério das Comunicações. A televisão digital é outra maneira pela qual a convergência midiática se manifesta. É uma junção da televisão convencional com a internet. A diferença básica está diretamente relacionada por causa da interatividade do telespectador com a emissora. Em tese, o usuário escolhe a programação que prefere assistir.

Outra tecnologia disponível que se relaciona com a convergência midiática são os Smartphones. Esses aparelhos móveis misturam diferentes funções: computador, telefone, câmera digital, com acesso à internet, player de música e vídeos, jogos eletrônicos e outras possibilidades de interação, produção e acesso de conteúdo, convergindo assim várias mídias em um único equipamento.

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Ricci Junior : Diretor da Webrádio São Paulo Digital ” Expliquei que todos podiam lucrar com as transmissões mas os dirigentes não me ouviram FOTO:  Facebook Ricci Jr.

A Rádio Poliesportiva procura fomentar a discussão sobre o tema, produz essa reportagem para conhecer as opiniões de profissionais diretamente relacionados com a convergência de mídia, além de saber também o que pensam as autoridades acadêmicas sobre o assunto. Ricci Junior, diretor geral da Web Rádio São Paulo Digital opinou sobre o tema em sua página pessoal no Facebook. “Se não me falha a memória, em 2012 ao encontrar o ex-presidente do São Paulo Juvenal Juvêncio, nos corredores do estádio do Morumbi, pedi a ele que não desse a exclusividade e direitos totais para a internet. Expliquei depois para outro dirigente do clube, que todos poderiam lucrar. Naquela época, negociando com emissoras do mundo todo, além de oferecer aos sócios –torcedores, transmissão dos jogos on-line” explicou Ricci.

 Entretanto, sua sugestão não foi assimilada pelos dirigentes. “Obviamente que eles não me escutaram. Dias depois expliquei para outro dirigente são-paulino, e novamente não compreenderam como seria importante e pioneira essa ação”; disse o diretor da Web Rádio São Paulo digital. E Ricci Junior vai além: “Hoje Atlético PR e Coritiba realizaram o que eu já entendia que poderíamos ter, além de ficarmos livres da exclusividade que escraviza os clubes brasileiros com muita grana antecipada. Vamos ver daqui para frente como será. Como as Federações, televisões e CBF lidarão com isso? A sorte foi lançada e quem for mais inteligente vai vencer” explicou Ricci Junior.

Francisco Machado Jr

Francisco Machado Jr ” Daqui alguns anos não falaremos mais em convergência de mídia . FOTO: Blog Jornalismo FAAT

Francisco Machado Filho, doutor em Comunicação Social, na linha de pesquisa em TV Digital, pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), possui um blog desde 2009 sobre convergência midiática. O trabalho foi fruto de sua pesquisa de doutorado em TV Digital, no qual pesquisou a necessidade de um novo modelo de negócios que possibilitasse à indústria de televisão no país ser rentável, neste novo contexto de convergência de mídia. Segundo Machado, o conceito está em evidência na comunicação brasileira e os internautas podem se informar sobre as novidades da internet, da TV digital, da comunicação no país e o que as mídias estão fazendo para não perder adeptos. “Daqui alguns anos não se falará mais em convergência, pois não vai haver mais diferenciação entre as plataformas de mídia. Nem mesmo no modo como se consome o conteúdo midiático”; explicou Machado. O especialista conta também que a convergência por si só não é um fenômeno de hoje, está acontecendo em maior velocidade desde os anos 70. “O walkman e o videocassete são aparelhos que já faziam tal convergência”; explicou Machado ao site Jornalismo FAAT.

Ivan Luis Marconato Rocha

Ivan Luis Marconato Rocha

Jornalista profissional diplomado desde 1998, e pós graduado em Jornalismo esportivo e negócios do esporte. Atua em webrádio desde 2012. Já trabalhou em jornal de bairro, e por 10 anos na NET Serv[...]

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