Clássicos da Fórmula 1: Monza 1967

Clássicos da Fórmula 1: Monza 1967

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sábado, 06 janeiro 2018
Automobilismo

Nos anos sessenta, Monza era um dos circuitos mais rápidos da Fórmula 1. Sem as chicanes que iriam desfigura-la nos anos setenta, geralmente as corridas se desenvolviam em sua maior parte com um carro “rebocando” o outro, sugado pelo vácuo. Permanecendo no vácuo gerado por um carro mais veloz à frente, um piloto podia economizar potência enquanto estava sendo sugado com velocidade igual à do carro que perseguia. A arte consiste em pegar o vácuo no momento certo, e se lançar à frente quando for o caso de conquistar uma posição.

As Lotus-Ford de Jim Clark e de Graham Hill eram os melhores carros naquele ano, embora o Eagle-Weslake de Dan Gurney fosse uma grande ameaça neste tipo de circuito. Clark tomou a pole dos carros de Jack Brabham e Bruce McLaren, mas depois de uma largada confusa Gurney assumiu a liderança. Após cinco voltas, o Eagle explodiu. A esta altura, Clark vinha mantendo um ritmo forte, porém, na 13ª volta entrou subitamente nos boxes com um furo no pneu traseiro.

 

Curva parabólica em Monza no GP de 1967. Foto: The Cahier Archive.

Isso deixou Hill, seu companheiro de equipe, sozinho na luta contra as Brabhams de Jack e Denny Hulme e, ainda contra John Surtees que pilotava um carro Honda construído às pressas num chassi Lola. Graham Hill abriu uma margem confortável na liderança enquanto que Jack Brabham começou a apresentar um problema no acelerador preso e Hulme abandonou por superaquecimento. Jim Clark retornou na 15ª volta, uma atrás dos demais. Porém ele “voava” na pista.

A nove voltas do final da corrida de 68 voltas, o motor de Hill quebrou, deixando Brabham com uma pequena vantagem sobre Surtees que havia se livrado de seus perseguidores. Porém Clark continuava a se recuperar rapidamente e retomou a liderança na 61ª volta depois de uma fantástica exibição. Então, na última volta, Brabham e Surtees surgiram novamente à frente de Clark quando a Lotus começou a perder velocidade. Na Parabólica, Surtees forçou Brabham a frear sobre o pó de cimento que recobria o óleo deixado por Gurney na linha interna, e enquanto Brabham fazia uma curva aberta, Surtees entrou por dentro e o derrotou na linha de chegada num final decidido no “photo-finish”. Dois décimos de segundo, oficialmente os separaram.

Com a finalidade de reduzir peso, Collin Chapman arriscou, colocando um mínimo de combustível no carro de Clark. Em sua brilhante perseguição ele quase esvaziou o tanque e o sistema falhou deixando de puxar os últimos litros. Foi uma das poucas vezes em que Clark se desentendeu com seu chefe…

 

Foto em destaque: The Cahier Archive

 

Redação e adaptação: Luiz Máximo Morelo, de São Paulo

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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