Clássicos da Fórmula 1: Jochen Rindt, em Spa-Francorchamps 1966

Clássicos da Fórmula 1: Jochen Rindt, em Spa-Francorchamps 1966

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terça-feira, 24 julho 2018
Automobilismo

Por: Luiz Máximo Morelo, de São Paulo

 

Desde que ele se destacou no cenário internacional em 1964, quando superou oponentes de primeira linha na prova de Fórmula 2 em Crystal Palace, todos sabiam que Jochen Rindt possuía um talento incomum. Mas sua carreira na Fórmula 1 com a Cooper nunca permitiu que o demonstrasse verdadeiramente até Spa-Francorchamps em 1966.

Esta foi a abominável ocasião em que uma súbita chuva na parte remota do circuito apanhou de surpresa muitos pilotos que haviam largado momentos antes em pista seca.

Foi também o primeiro ano da nova Fórmula 1 de 3 litros e muitas equipes ainda estavam se firmando. A Ferrari montou um carro esportivo V12 sobre parte traseira de seu novo chassi 312, a Brabham optou por um leve Repco V8 em sua estrutura atualizada de 1,5 litros e a Cooper adaptou em uma antiga Maserati V12 um novo monocoque.

Surtees estava ficando cada vez menos à vontade no tenso clima politico da Ferrari, mas isso não o impediu de assumir facilmente a pole, 3.2 segundos à frente de Rindt em pista seca. O inglês foi o primeiro a enfrentar a chuva no seu rosto em Burneville, mas conseguiu atravessá-la. Rindt rodou descontroladamente a quase 260 km/h no Masta Straight, mas, no entanto, terminou a volta perseguindo John Surtees, Jack Brabham e Lorenzo Bandini enquanto o caos se desenrolava atrás deles. Logo o austríaco se livrou do esquadrão italiano e partiu em perseguição a Surtees, assumindo a liderança na quarta volta.

Spa-Francorchamps era o circuito mais desafiador depois de Nurburgring. A Cooper era ima máquina pesada e seus pneus Dunlop não se equiparavam aos Firestone da Ferrari, mas esqueceram de dizer tudo isso a Rindt. Debaixo da chuva mais intensa ele permaneceu na liderança durante 20 das 28 voltas. E então duas aconteceram: a pista começou a secar e o diferencial apresentou defeito. Surtees passou à frente para vencer apesar de problemas com a bomba de combustível, mas Rindt conquistou um honroso segundo lugar naquele dia. E, uma vez por todas, confirmou seu fabuloso potencial.

 

Foto em destaque: Getty Images

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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