Clássicos da Fórmula 1: Cabeça de Marinheiro

Clássicos da Fórmula 1: Cabeça de Marinheiro

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terça-feira, 06 fevereiro 2018
Automobilismo

Durante a segunda sessão do treino oficial para a Corrida dos Campeões, que não era válida para o campeonato mundial, em Brands Hatch em 1968, o chefe da equipe Lotus, Colin Chapman recebeu um telefonema. Era um irado executivo da ITV informando se não recobrisse imediatamente a cabeça de marinheiro estampada na lateral da Lotus 49 de Graham Hill, que aparecia na Europa pela primeira vez depois de Chapman pintou os carros com as cores vermelho, branco e dourado do cigarro Golden Leaf, toda a cobertura do evento seria suspensa imediatamente.

Antes de 1968, as equipes que competiam na Europa eram obrigadas a pintar seus carros com as cores nacionais tradicionais, o verde da British Racing, o vermelho italiano, o azul francês e o prata alemão. Embora o patrocínio sempre tenha sido um elemento chave nas provas realizadas nos EUA, nos anos vinte, o extravagante “showman” Bartney Oldfield tinha seu carro coberto com anúncios de que os pneus Firestone eram seu único seguro de vida. E na Europa isto era visto com menosprezo e estritamente controlado. As empresas petrolíferas e de pneus, tais como a Dunlop e a Esso, eram quem pagavas os salários dos pilotos, mas elas quase não exigiam propaganda como retorno e o patrocínio “comercial” era tolerado. Instituições comerciais, tais como as empresas financeiras Browmaker e UDT, tinham comandado equipes com seus próprios nomes no começo dos anos sessenta, mas o fizeram sem grande visibilidade de marca. Haviam normas que ditavam o tamanho de qualquer identificação de patrocínio comercial, e elas não eram generosas.

Contudo em 1968, a RAC e a FIA cederam a crescente pressão exercida por aqueles que tinham que arcar com todas as despesas para competir; e como isto se tornava cada vez mais oneroso, diminuíram as exigências para a propaganda em carros de competição. Dessa forma, as portas para o patrocínio comercial nas corridas foram definitivamente abertas. Era o início do fim do esporte propriamente dito, e o nascimento do mercantilismo que se tornaria generalizado até os dias atuais.

O contrato entre Colin Chapman e a Imperial Tobacco foi firmado a tempo de disputar em 20 de janeiro em Wigram, o troféu Lady Wigram, a terceira etapa da série Nova Zelândia/Austrália/Tasmânia. O campeão foi Jim Clark. E nessa época, Chapman e a BRM, cujos carros mantinham seus próprios adesivos de patentes pendentes colados à carroçaria do carro, questionaram a autoridade da CAMS australiana, que também foi contra esta propaganda espalhafatosa.

Vale a pena destacar que, naquele dia em Brands Hatch, a infeliz cabeça de marinheiro era tão pequena que seria necessária uma lente de aumento para enxergá-la; e além disso, com a transmissão de imagens em branco e preto, era praticamente impossível identificar qualquer coisa. Mas era desse modo que as coisas aconteciam. O argumento era de que as cores do Gold Leaf eram permitidas, mas a cabeça de marinheiro representava a identificação de uma marca, o que era totalmente proibido. Chapman convenientemente cobriu o circulo ofensivo e a ITV prosseguiu com o televisionamento do evento. Enfim, discussões sobre propaganda de tabaco não constituem realente nenhuma novidade.

 

Foto em destaque: The Cahier Archive

 

Redator e adaptação: Luiz Máximo, de São Paulo

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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