Chico Buarque e o Futebol

Chico Buarque e o Futebol

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sexta-feira, 07 julho 2017
Futebol Brasileiro

A relação de Chico Buarque com o futebol vai além de sua paixão pelo Fluminense e das peladas disputadas esporadicamente com amigos no campo do “seu” Politheama, localizado no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Certa vez, o colega jornalista José Trajano disse, em seu programa na “Sala do Zé”, que o compositor foi quem mais cantou o esporte bretão no Brasil. Fiquei em dúvida, pois até então considerava Jorge Ben o detentor do título.

Após percorrer a vasta discografia de Chico e consultar um trabalho intitulado “Chico Buarque e o Futebol”, publicado na revista de estudos e literatura “Aletria”, de autoria de Ana Maria Clark Peres, separei abaixo quatro músicas do compositor sobre o esporte das massas (ainda). Para os que tiverem interesse na belíssima pesquisa de Ana Maria, o link da publicação está aqui.

E Se… (1980) – Parceria com o vascaíno Francis Hilme, discorre sobre coisas aparentemente improváveis de acontecer. Tem em dois de seus versos nomes de time de futebol. “E se o Botafogo for campeão…” e “E se o Arapiraca for campeão…” fazem referência, respectivamente, ao time carioca da estrela solitária e ao ASA (Agremiação Sportiva Arapiraquense) alagoano, que viriam a conquistar títulos futuramente.

Meu caro amigo (1976) – Outra composta com Francis Hime, traz um diálogo onde o cantor fala a um amigo distante (o teatrólogo Augusto Boal, exilado à época em Portugal) sobre a situação do Brasil em plena ditadura militar. Ele conta que, em meio a tantas situações adversas e um cenário de censura e violência, “Aqui na terra tão jogando futebol/Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll”.

Jorge Maravilha (1974) – “Você não gosta de mim/Mas sua filha gosta/Ela gosta do tango, do dengo/Do Mengo, domingo e de cócega”, canta o compositor, sob o pseudônimo Julinho da Adelaide, usado para despistar os censores da ditadura. Anos depois, em 2008, quem gostou do Flamengo (ao menos em um jogo) foi o próprio Chico, flagrado no Maracanã bastante empolgado em meio à torcida rubro-negra com o neto, Francisco.

Ilmo. Sr. Ciro Monteiro ou Receita pra virar casaca de neném (1969): Diz o próprio Chico que o cantor Ciro Monteiro tinha por hábito mandar a camisa do Flamengo para crianças recém-nascidas. Ao dizer que enviaria uma para a então pequena Sílvia Buarque, o compositor “deu o troco” em forma de canção-exaltação ao Fluminense. “Minha petiz/Agradece a camisa/Que lhe deste à guisa/De gentil presente/Mas caro nego/Um pano rubro-negro/É presente de grego”, diz um trecho da canção, anterior à parte em que Chico fala que pintará o manto com as cores do tricolor carioca.

*crédito da imagem destacada: Observatório do Fluminense

Leonardo Guandeline

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