Cavaleiro x Morte: a mais tensa partida de xadrez do Cinema, em ‘O Sétimo Selo’

Cavaleiro x Morte: a mais tensa partida de xadrez do Cinema, em ‘O Sétimo Selo’

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sexta-feira, 08 setembro 2017
Outros Esportes

Há obras atemporais no Cinema que merecem ser vistas de tempos em tempos. Uma delas é “O Sétimo Selo” (1957), do mestre Ingmar Bergman. Marcada por uma tensa partida de xadrez, a trama traz o espectador de volta à Idade Média, época em que a epidemia de uma doença e a intolerância religiosa, através da Peste e da Inquisição, matavam tanto quanto (ou até mais que) a Fome na Europa.

Cavaleiro e Morte disputam tensa partida de xadrez nos campos da Suécia medieval – Reprodução

Ao retornar das Cruzadas, o cavaleiro Antonius Block (Max von Sydon) encontra a Morte (Bengt Ekerot) em uma praia deserta e – tentando modificar, ou retardar, seu destino – a desafia para um jogo de xadrez. Confiante na vitória, disse nunca ter perdido uma partida na vida, apesar da consciência, por meio de gravuras, que seu oponente também é praticante da modalidade.

Enquanto ganha tempo, o cavaleiro medieval é tomado por uma crise existencial. Em meio a tanta desgraça, ele questiona a existência de um deus e verbaliza a todo momento perguntas aparentemente sem respostas.

Mesmo com inúmeras dúvidas e reflexões, contudo, o protagonista busca um sentido e um propósito para a sua vida (cuja maior parte dela, dez anos, foi dedicada a uma luta inócua).

Depois de encontrar novamente a Morte (dessa vez em um confessionário) e revelar a estratégia para vencê-la no xadrez acreditando conversar com um padre, Block conhece uma família de artistas circenses, o casal Jof (Nils Poppe) e Mia (Bibi Andersson), pai e mãe do pequeno Mikail. Por meio da harmoniosa convivência do casal e da admiração pelo amor deles, o protagonista parece, enfim, encontrar um sentido para a vida.

Jof tem visões e, num determinado momento, pouco antes do xeque-mate decisivo, avisa Mia que o cavaleiro e a Morte jogam xadrez próximos deles. Numa tentativa de enganar o oponente e ao perceber que estava sendo observado, Block derruba, de forma atabalhoada, as peças sobre o tabuleiro, o que permite que o casal e a criança fujam dali.

Em meio a amor e morte, discussões filosóficas e luz e trevas (que contrastam de forma brilhante, a todo momento, no belíssimo trabalho do diretor de fotografia, Gunnar Fischer), “O Sétimo Selo” é daqueles filmes que novos detalhes aparecem a cada revisita.

*Crédito da imagem destacada: Reprodução

Leonardo Guandeline

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