Castaño domina Patrick do início até o fim, e toma o cinturão dos médios-ligeiros da WBO

Castaño domina Patrick do início até o fim, e toma o cinturão dos médios-ligeiros da WBO

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quarta-feira, 17 fevereiro 2021
Boxe

No último sábado (13), Patrick Teixeira colocou seu cinturão dos Médios-ligeiros da WBO em disputa contra o argentino Brian Castaño. O que se viu no Fantasy Spring Casino, na Califórnia, foi um domínio quase que absoluto do então desafiante. O resultado final foi de vitória por decisão unânime, para Castaño. Os três juízes marcaram (120-108/119-109/117-111). As pontuações retratam muito bem o que foi o duelo.

Por: Ayrton Niño, de Recife (PE)

CONCERTO DE UMA NOTA SÓ

De fato, definir esse confronto como um “concerto de uma nota só”, possa soar um tanto quanto genérico e limitador em relação a tudo que aconteceu no combate. É evidente que Patrick tocou outras notas e teve seus momentos. No nosso prognóstico, analisamos que havia nos surpreendido o tamanho do favoritismo de Castaño nas casas de aposta. Entretanto, é necessário admitir que eles estavam corretos. E que toda aquela diferença, que antes nos parecia exagerada, ficou visível dentro do ringue.

A princípio, o duelo começou equilibrado. Com o primeiro assalto sendo definido nos detalhes. Logo em seguida, o recital do argentino se iniciou. Tomando o centro do quadrilátero, caminhando para frente, e abafando Patrick contra as cordas, Brian Castaño pôs em prática o que já se esperava dele, nos seus melhores momentos. É um motorzinho, não para, é constante. Da mesma forma, quase todos os seus golpes lançados são fortes. O argentino parece não querer poupar energia, contudo, parece ter uma reserva quase que inesgotável, como já dito, o atleta impõe muito volume.

Por outro lado, Patrick não conseguiu impor sua maior envergadura, quando era preso em algum canto do ringue, por vezes, lhe faltava uma movimentação de pernas para lhe tirar da enrascada. Outro ponto que chamou mais uma vez a atenção. Suas falhas defensivas. Outra vez, o brasileiro recebeu muitos golpes limpos no rosto. Isso se deve, que o catarinense não costuma balançar muito a cabeça. Ela fica estática, e se torna uma alvo muito fácil para o oponente. Algo que já pôde ser notado contra Curties Stevens e Carlos Adames.

GOLPES TOTAIS
PATRICK TEIXEIRA BRIAN CASTAÑO
197 CERTOS 373
972 LANÇADOS 1136
GOLPES FORTES
PATRICK TEIXEIRA BRIAN CASTAÑO
149 CERTOS 344
588 LANÇADOS 927

O ÚLTIMO NÚMERO

Sem dúvida, as estatísticas nos ajudam a entender o que foi o confronto. De fato, é só observar os números, que eles nos evidenciam dois aspectos que são levados em consideração pelos juízes. Em primeiro lugar, e mais importante, tocar e não ser tocado. De acordo com os números, Castaño assim o fez mais. E em segundo lugar, nesse caso, é considerado a ofensividade, volume, e o argentino lançou mais de 1000 golpes.

Aliás, outro ponto a se levar em consideração, é a contundência desses golpes. Percebe-se ao comparar os números de golpes totais, e os fortes, que a frequência na qual, o argentino lançava ataques fortes, foi muito maior que o brasileiro. Patrick por sua vez, arremessou muitos socos com o intuito de marcar uma distância, ou simplesmente “pontuar”. Em virtude de sua característica, o catarinense costuma faz esse jogo de tá tocando o adversário, muitas vezes sem tanta efetividade, entretanto, pareceu exagerar nesse quesito no sábado,  e talvez partiu para uma estratégia adversária, visto que, Castaño é menor, e Patrick insistiu muito em golpes retos na linha da cintura, que não causavam dano algum.

Já mais para o final, quando a contagem estava todo para o lado argentino, e a via rápida já era a única opção para Teixeira, o brasileiro aceitou a luta franca e de curta distância de Castaño. Por sua vez, viveu até alguns bons momentos, chegou a vencer 10 round, contudo a diferença de velocidade era muito grande. E Brian colocava seu porte mais atlético em seu favor. Por fim, já no último e derradeiro assalto, Patrick Teixeira se lançou a toda sorte, buscou o nocaute, e naquela altura já sabia que essa era sua única esperança, porém, foi o brasileiro que quase foi à lona, o que só coroou ainda mais a atuação.

PRÓXIMAS APARIÇÕES

Antes de tudo, para o novo campeão, um caminho quase que natural é pensar na possibilidade de uma luta contra o norte-americano Jermell Charlo. O vencendo dessa contenda se consagraria campeão linear dos Médios-ligeiros, e teria todos os cinturões da categoria em sua posse. Por outro lado, a derrota de Patrick foi inconteste. E não cabe um pedido de revanche nesse momento. É hora de lamber as feridas. aprender com os erros, tentar não repeti-los, e escalar a montanha novamente até o topo. Ao Patrick Teixeira, nossos reconhecimentos, já fez história, foi o sexto pugilista brasileiro campeão mundial. Bem como, Brian Castaño promete ter uma carreira de bom destaque, com maiores desafios por diante.

FOTO DESTAQUE: DIVULGAÇÃO/BRIAN CASTAÑO

Ayrton Niño

Ayrton Niño

Historiador pela UFPE e graduando em Jornalismo pela UniNassau.

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