Carol Gattaz conta sobre sua história no Itambé Minas e projeção na carreira

Carol Gattaz conta sobre sua história no Itambé Minas e projeção na carreira

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quinta-feira, 17 setembro 2020
Entrevistas

Carol Gattaz, central do Itambé Minas, em entrevista exclusiva à Rádio Poliesportiva, a rádio de todos os esportes. Tetracampeã na Superliga, fala sobre sua história no Itambé Minas, projeção para a carreira e jogos marcantes.

Por: Erica Viana, de São Paulo – SP.

Caroline de Oliveira Saad Gattaz, conhecida como Carol Gattaz, fala sobre o cancelamento da Superliga, técnicos que passaram pelo Itambé Minas e momentos marcantes em sua carreira, jogos e suas companheiras de equipe.

Quarentena: treinos do Itambé Minas e cancelamento da Superliga

 – Como é sua vida de atleta em casa?

Graças a Deus consigo fazer exercício de academia todo dia, a gente treina todos os dias. Mas realmente, é difícil não ter a quadra para treinar, não ter uma academia com pesos fortes para treinar realmente é complicado, mas a gente vai se virando como pode.

Cancelamento da Superliga

 – Essa interrupção para vocês, porque o Minas vinha em um ascendente, o time evoluiu muito e estava brigando pela ponta. Como foi essa notícia para vocês?

Foi tudo muito rápido, cada dia uma história diferente, uma coisa sem precedentes, não sabíamos o que ia acontecer, quando ficamos sabendo, estávamos assistindo um vídeo do Barueri. Elas já tinham até chegado em Minas, iam chegar para o treino da tarde e do aeroporto já voltaram, porque foi cancelado de última hora. Assistimos ao vídeo e nosso supervisor, o Jarbas, veio nos avisar que tinha sido cancelado o jogo.

Foi um baque, só que não sabíamos qual era a gravidade e continuamos treinando, na segunda e terça, aí na quarta-feira, já tínhamos nos falado bastante, as meninas preocupadas e com razão e a Vivian falou “está sendo perigoso ir e tal”, tudo bem, vamos todo mundo acatar, até saber se vai continuar a Superliga ou não. Começou entre nós jogadoras, todo mundo concordou e falamos com o Jarbas e o técnico, e na hora falaram “vocês estão certas, vamos fazer isso, vamos parar e esperar a decisão da CBV, se vai continuar ou parar a Superliga”.

Na quinta-feira foi a reunião da Superliga e ficamos sabendo que seria cancelada. Realmente foi um baque, um choque, porque eu falo “meu Deus, como assim cancelada”, mas ao mesmo tempo, a coisa mais prudente a ser feita, tudo parando, a cidade começou a parar, em questão de dias. Então foi um baque com certeza, mas ao mesmo tempo, a melhor coisa que se pode fazer. É triste não ter um campeão, ficar o ano inteiro treinando para melhor hora, nosso time estava super preparado, mas infelizmente não pudemos continuar. Tenho certeza que não só nossa equipe, mas todas estavam empolgadas para essa fase final.

Stefano Lavarini: o jeito italiano no voleibol brasileiro

 – Como foi trabalhar com o Stefano Lavarini, no Itambé Minas? Um italiano, para se entender, como foi a comunicação? Como foi esse contato inicial seu, por você ser a líder do time na época?

A gente ficou com uma dúvida muito grande quando o Paulinho saiu, de quem ia ser o técnico e tinham alguns nomes sendo cogitados e eles optaram por um técnico italiano, uma coisa diferente, uma coisa para mudar, em vez de ter mais do mesmo. No começo foi “Como será que vai ser? Como que ele vai trazer?” É uma preocupação porque a gente sabe que cada treinador de cada país tem sua cultura, tem seu modo de trabalhar, e para nós que somos as jogadoras mais velhas, é sempre um “poxa como será que vai ser, será que eu vou me encaixar no trabalho dele, será que ele vai respeitar o nosso corpo, será que ele vai respeitar a atleta?”.

E foi muito bacana que foi a melhor surpresa que a gente podia ter tido, porque quando o Lavarini chegou, claro que o começo é sempre mais difícil, algumas coisas para se adaptar, mas depois a gente foi se encaixando, tudo foi se encaixando, ele foi entendendo nosso modo de trabalhar, o jeito brasileiro, ele virou um técnico italiano, mas era mais brasileiro que até cantava o hino nacional, então ele foi se adaptando muito e trouxe o jeito moderno de jogar de hoje em dia e nosso time começou a evoluir com ele.

Mundial: a virada na disputa da semifinal

 – Vocês se entrosaram muito bem e foram disputar o Sul-americano e disputaram o mundial. Chegaram na semifinal, com o time turco favorito, 24 a 19 pra elas pra fecharem o jogo. O que aconteceu? O que vocês fizeram, como foi a conversa?

Um time cheio de estrelas, jogadoras renomadas, que já tínhamos jogado contra em seleções, já tínhamos feito um amistoso contra elas e tinha perdido. Perdemos o primeiro set e no outro, estávamos perdendo, mas começamos a criar um fôlego. A Natália começou a tirar, tinham jogadoras espetaculares, a Mara, Gabi, Natália que saiu e são jogadoras que na hora que o bicho pega, se estiverem confiantes, vão fazer diferença.

E foi o que aconteceu, a Natália virava todas, a Macris distribuindo. Enfim, foi um jogo que tivemos muita felicidade. Todo mundo se agigantou. Nós acreditamos, fizemos o restante do jogo super bem. Foi na garra, na vontade de acreditar que podíamos, porque nosso time era muito bom. Se o mundial tivesse sido depois, faríamos uma final muito mais forte, a gente não sabe se ia ser campeã ou não, mas tínhamos feito uma final muito mais confiantes, porque nosso time começou a engrenar depois daquele mundial.

 – E quando o Lavarini chamou vocês, você deu um berro e disse “vamos”, como foi isso?

Eu como capitã, tento motivar bastante as meninas, a mim também, porque sou uma jogadora que gosto de jogar energicamente, se tiver muito calada no jogo, sei que não estou no meu clima, eu gosto de motivar, gosto de puxar e sei que se as meninas sentirem minha presença lá, sei que elas sabem que podem confiar em mim. Não só eu, como a Natália e Gabi, tem mais o estilo de puxar, éramos muito unidas e elas entendiam o recado.

A contratação de Nicola Negro: mudanças na visão do treinador no Itambé Minas

 – Acabou a temporada, vocês ganharam tudo, só no mundial que foram vice e o Lavarini vai embora, lá vai o Minas atrás de outro italiano e chega o Nicola Negro. O que mudou da filosofia? Como isso foi conversado com vocês?

Quando o Stefano falou que não ia ficar, já imaginávamos. Ele mora com a mãe, é muito família e depois que recebeu o convite para atuar na seleção coreana, a gente já imaginava que ia voltar para a Itália. E queriam trazer um técnico que a filosofia fosse parecida com a do Stefano, um italiano que gosta de estudar muito, super tático, sabe e entende o jogo. O Stefano era um cara maravilhoso, no começo foi mais difícil que ele era um cara mais fechado e depois ele foi se abrindo, era um cara super humano.

Quando o Nicola chegou, já veio com esse lado humano, veio aberto, falou “aqui é a casa de vocês, se tiver que me adaptar, eu que vou me adaptar e não vocês que vão se adaptar comigo, com meu estilo”. Foi muito fácil para nós, porque toda coisa nova, gera um pouco de desconforto e ele chegou com quase a mesma ideia. Era um técnico super humano, que sempre perguntava como você está, se está bem, se está se sentindo bem, se está com dor, se pode treinar, … e isso uma jogadora quer.

É claro, nós jogadoras mais experientes, a gente dá esse feedback, muitos técnicos que joguei não tinham essa liberdade de falar com a jogadora, talvez pela hierarquia, mas hoje é importante e os técnicos estão vendo. O Nicola chegou nessa mesma escola, com esse jeitinho dele e conquistou a gente na hora. Um técnico carismático, gosto muito do trabalho dele e foi uma grata surpresa.

Base de treinamento: fundamentos

 – As estatísticas mostram que nessa temporada o grande forte do Minas está sendo o bloqueio, principalmente você e a Thaísa, mas tem outros fundamentos que estão aparecendo aqui que vocês estão se destacando, por exemplo, o saque, que vocês estão fazendo muitos pontos de saque. Vocês trabalham muito isso? O Nicola cobra muito de vocês?

Com certeza, é um fundamento dos mais importantes do vôlei. A gente sabe que um saque bem feito vai quebrar todo o esquema ofensivo do outro time, então sabemos que é importante. Vou falar do meu saque, que não é minha principal característica, pelo contrário, vou melhorando-o a cada ano, treinando muito. Eu gostaria de fazer mais pontos, mas sei que preciso melhorar em questão de treinamentos.

A Thaísa, não é de hoje que pra mim, ela tem o melhor saque da Superliga, sempre foi o melhor saque da Seleção, ela tem um saque fortíssimo, que é muito difícil de passar, claro que eu não sou passadora, mas todas as passadoras que passam o saque dela, falam que vem muito pesado. A Thaísa é uma craque e sempre foi, sempre sacou muito bem, atacou, bloqueou, defendeu, fez tudo… ela joga muito, muito mesmo.

Projeção na carreira e histórias marcantes

 – Hoje, pelo momento que você está vivendo, um convite para jogar de novo na Itália está descartado ou não?

Na verdade a gente nunca descarta nada, sempre estou aberta a ouvir propostas, ainda mais no final da minha carreira. Claro que eu amo o Minas. É um time que eu gostaria de ficar para sempre. Mas minha aposentadoria não vai demorar muito. Então se eu receber uma proposta boa, vou aceitar.

 – Qual foi a vitória mais saborosa que você teve?

Tiveram várias, não consigo te falar uma, vou te falar três. A primeira sem dúvida nenhuma foi a vitória da Superliga, nesse último campeonato que ganhamos da Superliga. O primeiro campeonato Sul-americano que nós ganhamos pelo Itambé Minas, que foi o primeiro campeonato importante que eu ganhei. E a semifinal que a gente virou para ir para a final do mundial que foi um jogo memorável. Então são esses três que são mais recentes e eu lembro. Claro que tiveram outros mais para trás, mas eu acho que foram esses que marcaram mais.

Foto destaque: Divulgação/Carol Gattaz

Erica Viana

Erica Viana

Sou Erica, tenho 27 anos e a paixão pelo futebol começou pelo meu time, Corinthians. Fui conhecendo outras modalidades e criando carinho por outros esportes. Sempre que possível, vou ao estádio as[...]

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