Camisas pesam, A2 encanta e São Caetano volta a Série A1 com título

Camisas pesam, A2 encanta e São Caetano volta a Série A1 com título

1
1165
1
segunda-feira, 08 maio 2017
Sem categoria

Quando a Federação Paulista de Futebol alterou as nomenclaturas de suas ligas, alegando que a primeira divisão seria composta de três torneios (A1, A2 e A3, cada uma representando as três divisões equivalentes aos seus números, porém todas também representando a Série A do paulista) no já longínquo ano de 1994, quem acompanhava futebol não entendia muito bem do que isso se tratava, e o porquê desse tipo de mudança. Mais de vinte anos depois, a mudança começa a fazer sentido. A Série A2 de 2017 teve a qualidade que em outras épocas era inimaginável. O futebol se nivelou e a competição que equivale a segunda divisão paulista encanta a quem gosta de futebol por sua competitividade e por suas camisas, visto que cada vez mais times tradicionais disputam o certame.

 

Grande final entre dois grandes campeões

O objetivo principal da Série A2 é o acesso ao escalão principal do Campeonato Paulista. No ano de 2017, as quatro melhores equipes da fase de classificação disputada em turno único fizeram semifinais empolgantes. O São Caetano eliminou o tradicional Rio Claro, uma das mais antigas equipes do Brasil e uma das poucas a participar pelo menos por uma ocasião em cada de todas as divisões do futebol paulista, da primeira a quinta divisão (quando essa existia, exceto a sexta divisão que teve poucas edições). Com a sua força de Campeão Paulista de 2004, o Azulão passou a final e garantiu o acesso.

Já o Bragantino, o outro integrante da final, utilizou todo o peso de sua camisa e de sua história de campeão paulista para avançar até o acesso a A1. Com campanha irregular e classificação graças aos desperdícios de outro tradicional do interior, o Guarani, o Massa Bruta garantiu o acesso diante de uma classificação histórica, nos pênaltis, contra o time de melhor campanha, o Água Santa de Diadema. Embora a equipe de Diadema já tenha 35 anos de história e uma participação na primeirona paulista, como profissional o time ainda não tem a cancha do time de Bragança. Sentiu o peso do adversário, e viu o Braga garantir sua vaga em pleno distrital do Inamar.

A final em jogo único no Anacleto Campanella em São Caetano, graças a melhor campanha do Azulão, viria para confirmar o detentor da taça de 2017 entre duas equipes com sensação de dever cumprido pelo retorno aos seus lugares de direito, na Primeira Divisão Estadual. No jogo, Sandoval abriu o placar para o time de azul, logo aos dez minutos de jogo. No início do segundo tempo, o atacante do Bragantino Rafael Grampola assinou uma pintura de bicicleta empatando a partida. Mas os visitantes não suportaram a pressão dos donos da casa, que com Régis aos 21 do segundo tempo fechou o placar e deu o título ao Azulão. De quebra, o time do ABC conquistou com o título, o direito de jogar a Copa do Brasil de 2018.

 

Momento do troféu ao campeão São Caetano. Foto: Ivan Marconato / Rádio Poliesportiva.

Momento do troféu ao campeão São Caetano. Foto: Ivan Marconato / Rádio Poliesportiva.

 

Um torneio de encher os olhos

Desde 2016 a Série A2 é quase tão boa quanto a A1. Se excetuarmos os times considerados grandes da A1, a A2 provavelmente ganha em tradição, história, e até em qualidade técnica. O que se viu na competição foram equipes dispostas a jogar um bom futebol, sempre com o objetivo maior de chegar ao gol adversário, em detrimento aos esquemas ultra defensivos outrora muito utilizadas por equipes de menor investimento.

Quando vemos a tábua de classificação da A2, logo vemos o quanto a competição cresceu e ganhou importância graças aos times que agora frequentam o certame. Em 2017, São Caetano, Bragantino, Guarani, Juventus, Oeste, Portuguesa e Mogi Mirim já venceram ou participaram com destaque de competições estaduais e até nacionais. XV de Piracicaba, Taubaté, Rio Claro, Velo Clube, Rio Preto, União Barbarense, dentre outros, são times de muita tradição dentro do cenário estadual do futebol. Novos nomes como o Água Santa, time com origem no futebol de várzea paulistano, surgem para dar renovação ao campeonato.

A A2, hoje é a realidade que a FPF sempre quis. Um campeonato de grandes clubes, com grandes históricas, grandes camisas e grandes torcidas. Se o futebol cai em descrédito a cada ano por uma nata de aficionados pelo esporte, a A2 pode ser um alento a aqueles que ainda querem algo que lembre minimamente o que foi o futebol em décadas atrás.

 

Foto de capa: Ivan Marconato / Rádio Poliesportiva.

 

Matéria de Danilo Dias

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo, paulista, CEO da Poliesportiva, jornalista, apresentador e narrador esportivo. Conhecido no meio jornalístico como P.A., Paulo Arnaldo tem vasta experiência desde 2008 no jornalismo e[...]

555 posts | 2 comments

Menu Title