Cadum afirma: “Não consigo viver sem basquete”, em live Poliesportiva

Cadum afirma: “Não consigo viver sem basquete”, em live Poliesportiva

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terça-feira, 26 maio 2020
Basquete

Em entrevista exclusiva com a Rádio Poliesportiva na live da última segunda-feira (25) , o ex-jogador de basquete Cadum Guimarães relembrou vários momentos de sua carreira no esporte. Entre eles, está a conquista do Pan Americano de 1987, pela Seleção Brasileira, contra os Estados Unidos. Além disso, o ex-armador recapitulou a Olimpíada de 1992 e relatou sobre sua experiência ao enfrentar o famoso Dream Team, de Michael Jordan.

Por: Lívia Marques, Rio de Janeiro-RJ

PAN AMERICANO DE 1987

Cadum Guimarães é um dos maiores nomes do basquete brasileiro, campeão três vezes pela Seleção Brasileira, o ex-jogador comentou sobre momentos marcantes de sua carreira. O ex-atleta contou sobre a experiência de rever o Pan Americano de 1987, onde o Brasil ergueu a taça, que foi reprisado devido a pandemia de Covid-19.

“Toda vez que assisto, toda vez que converso sobre o Pan o jogo me volta muito vivo na memória como se estivesse acontecido há uma semana atrás. É incrível isso, passado já mais de 30 anos daquela conquista. A gente volta no tempo e entra de novo na partida, como se fosse jogar.”, disse Cadum

Ao ser questionado sobre a motivação da virada repentina no jogo contra os Estados Unidos, Cadum disse que até hoje busca respostas para essa pergunta.

“Todos os nove times que entraram naquela competição pensavam na medalha de prata, porque os Estados Unidos seria ouro. Durante o campeonato, o pensamento foi todo esse. Quando ganhamos a semi-final, nosso sentimento foi de dever cumprido, conseguimos nosso objetivo. Tivemos alguns dias de intervalo, e nesses dias criamos a ansiedade de jogar a final e não passar vexame.”

“Quando começou o jogo, começou também um atropelo dos caras. Fomos pro vestiário totalmente abatidos com um jogo de 20 pontos atrás. Voltamos pra quadra tentando aproveitar o máximo. Depois de 3 minutos do 2° tempo, o time começou à jogar. Nós começamos à dar mais distância, fechar o garrafão, pegar o rebote e sair pro contra-ataque, mas isso só não basta. A gente teve que recuperar o placar e sustentar o jogo por mais de 10 minutos. Uma das maiores vitórias dessa equipe foi a sustentação do jogo.”, completou o ex-atleta.

SINCRONIA COM A SELEÇÃO

Atuando muito tempo com a camisa canarinha, Cadum contou sobre como era armar o jogo para grandes craques como Oscar Schmidt e Marcel. O ex-armador concordou com a sugestão de que a diferença de perfis resultava em uma boa equipe.

“Acho que é uma ideia legal. Essa geração do Pan eram jogadores líderes nas suas equipes e quando nos juntávamos, a gente tinha vontade de fazer o bem maior. Nesse time cada um sabia o seu papel, foi importante pro grupo fazer dessa maneira.”, afirmou o ex-armador

Sobre a amizade com Oscar e Marcel, Cadum falou sobre sua proximidade com os ídolos do basquete e diz ter “um pouquinho de cada um”

“O Marcel e Oscar se dão muito bem e sempre foram muito opostos. Eu sou o cara do meio, eu tenho um lado do Marcel e um lado do Oscar. Andamos juntos até a Olimpíadas de 92, mas eu era o cara do meio. A gente sempre se deu muito bem. Eu me sentia bem com eles, tanto nas horas boas, como nas derrotas também a gente se apoiava muito.”, finalizou.

O CONFRONTO COM O JORDAN

Na Olimpíada de 92, que, assim como, em 1987 foi contra os Estados Unidos, mas, desta vez, enfrentando o Dream Team. No embate com a equipe de Jordan, o Brasil não foi feliz. Cadum contou sobre o duelo com o jogador, considerado o maior da história do basquete.

“O duelo foi que ele venceu fácil. Eu e ele jogando com a 9, foi legal porque no início, antes de começar o jogo, eu estava de frente pro homem e foi uma emoção grande. A gente trocou algumas lembranças, ganhei um boné dele que vale como uma medalha pra mim. Depois tive o prazer de ser marcado por ele, e foi legal demais. Sensacional jogar contra os caras e estar perto dos caras.”

VIDA APÓS A APOSENTADORIA

Cadum comentou com a Poliesportiva que, após anunciar sua aposentadoria, ficou dois anos sem a prática de exercícios físicos. O ex-armador voltou a jogar basquete e disputava o campeonato paulista, antes da pandemia, uma vez por semana pela equipe Hebraica.

“É um negocio que eu gosto, sinto muita falta. Quando parei de jogar basquete e estava cansado, não fazia nada. Estou sentindo muita falta da quadra, da bola e principalmente da competição. Não é fácil jogar, mas tento jogar o mais intenso possível que meus 60 anos permitem.”

Além disso, o ex-atleta também exerce a profissão de treinador e disse que talvez seja a parte mais difícil, por não poder atuar. Cadum também informou que sente vontade em voltar em comentar jogos e afirmou: “Não consigo viver sem basquete, é minha paixão desde o ventre materno.”

ESCOLHA DE POSIÇÃO

Apesar de atuar a maior parte do tempo como armador, Cadum nem sempre atuou na posição. No começo da carreira, o ex-atleta jogava como pivô. No Monte Líbano, clube no qual foi campeão brasileiro cinco vezes, o Cadum desenvolveu as habilidades de armador.

“Quando fui pro adulto, e cheguei no Monte Líbano, o Mical era o técnico. Ele disse que eu iria jogar de armador e eu disse ‘Como assim? Armador?’ e eu assumi e gostei muito da posição. Gostei de ser líder, ter a bola na mão, controlar o jogo e me desenvolvi como armador ali, aos 18 anos. Já tinha um certo vício nessa posição por ter uma leitura de jogo muito boa e tive essa transição que não foi tão difícil.”, comentou Cadum.

FUTURO DO BASQUETE

Por último, Cadum falou sobre o que espera para o futuro do basquete brasileiro. O ex-armador afirmou que acredita muito na nova gração.

“Eu vejo com muitos bons olhos. A equipe que jogou o mundial ano passado é forte e poderia até ter ido mais longe. Acredito muito nesse time, acho que pode ir longe, pode chegar a olimpíada. Jogadores que já são parâmetro com Seleção Brasileira como Alex e Varejão, mas eu vejo muito bem esses jogadores surgindo. No entanto, o campeonato mundial, hoje em dia, é muito disputado, muitos times em um nível muito bom.”

Ao ser questionado sobre a escola de técnicos de basquete no Brasil, o ex-atleta disse que seria ótimo pra criar uma identidade brasileira para o esporte.

“Infelizmente, não conseguimos ainda porque nossa associação de técnicos não é tão forte, não são todos os técnicos presentes. Pensar em escola de treinadores, com certeza seria o caminho mais perfeito pra isso.”, completou.

Foto destaque: Reprodução/João Pires/LNB

Lívia Marques

Lívia Marques

Escolhi jornalismo porque sempre foi minha paixão, fiz estágios em assessoria de imprensa e escrevi algumas matérias pra uma agência de publicidade, meu maior objetivo é conseguir me destacar na [...]

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