Brigando com a balança

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sábado, 16 setembro 2017
Automobilismo

Os pilotos de Fórmula 1 são grandes na coragem e na audácia. Mas, para sonhar com títulos e glórias, suas medidas mais apropriadas devem ter, como definem os franceses, o gabarito de um jóquei. Um manequim 42 para “vestir” o justo cockpit dos bólidos atuais.

Tudo isso porque o regulamento da categoria impôs novas limitações, desafiando a criatividade dos projetistas que, por sua vez, sacrificam o piloto em favor de mínimos e decisivos benefícios aerodinâmicos. E qualquer quilinho a mais do carro ou do piloto dá vantagem ao inimigo.

O atual estreitamento dos monopostos  é o resultado do duelo regulamento x projetistas. Uma consequência quase natural da proibição de acoplar os tanques nas laterais dos carros e da louvável obrigatoriedade de equipa-los com uma proteção para os pés dos pilotos, colocados à frente dos pedais. Assim o cockpit encurtou e ficou restrito a dois extremos localizados entre um eixo imaginário das rodas dianteiras e a parede do tanque de combustível, que fica às costas dos pilotos.

Em 1994 esse espaço caía como uma luva para o aposentado Alain Prost e acabou ficando sob medida para Gianni Morbidelli, Ukyo Katayama e Pierluigi Martini, afinal todos tinham 61 kg e 1,60m de altura. Enfim um privilégio para os pilotos com silhueta de jóquei, mas um tormento para o corpanzil de 1,84m de Karl Wendlinger. Damon Hill e Gerhard Berger também tinham de encolher a estatura de 1,83m dentro dos minúsculos habitáculos.

A posição dos pilotos sempre passou por modificações. Nos charutinhos dos anos 1950, Juan Manuel Fangio voava a quase 300 km/h nas retas, sentados no clássico estilo do motorista comum. Na década de 1960, a Fórmula 1 inaugurou a posição 90 graus, com o piloto guiando num ângulo reto formado pelo tronco e pelas pernas. Essa postura resistiu até o final dos anos 1970 e ganhou a preferência dos pilotos.

Vivia-se uma época em que os fórmulas além de mais confortáveis, não submetiam os pilotos a sessões de contorcionismo para se acomodar nos bólidos. Atualmente o entra e sai só é possível graças aos volantes destacáveis. O irônico é que a FIA exige dos pilotos um teste de segurança anti-acidente cronometrado. Eles tem no máximo, cinco segundos para se retirar do carro.

Tais restrições e a eterna busca da velocidade já levaram os projetistas da Fórmula 1 a estudos mirabolantes. Objetivo: conciliar o peso e a altura dos pilotos com a aerodinâmica dos protótipos. Como a Fórmula 1 é construída por pequenas vantagens e muitos truques, alguns chefes de equipes sempre arquitetam um novo golpe no regulamento.

Munidos com o argumento de padronizar o peso, desde 1995, a massa do piloto foi incluída no peso mínimo dos carros. Assim no peso regular de um carro de Fórmula 1 tem de estar embutido o peso do piloto. Talvez seja a receita mais correta para nivelar a competição, acabando com o privilégio dos baixinhos e o martírio dos gigantes. Quem sabe, a formula ideal de equilíbrio entre o peso e a competência.

 

Foto de capa: The Cahier

 

Redator da matéria: Luiz Máximo,  de São Paulo.

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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