As cinco melhores corridas da Fórmula 1 – 1950 – 1959. Terceira Parte

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sexta-feira, 21 julho 2017
Automobilismo

Silverstone 1951

 

Este foi o dia em que o novo superou o velho, quando o equilíbrio de poder começou a deslocar das sobras do pré-guerra para um admirável mundo novo. A Alfa-Romeo, com sua Alfetta mantendo o mesmo projeto de quinze anos atrás, representava o passado. A Ferrari, em vários aspectos fruto da Alfa, significava o futuro.

Tratava-se de uma competição tão rica em ironia quanto em provocação. Enzo Ferrari havia se envolvido com a Alfa na época em que a Alfetta estava sendo concebida, e sua equipe, representando durante algum tempo a Alfa nas competições, ajudou a aperfeiçoá-la para se tornar o formidável carro de competição que agora suas próprias Ferrari enfrentavam. Desde que o Campeonato Mundial havia começado doze meses antes nesta mesma pista de Silverstone, as Alfettas dotadas de motores super-pressurizados venceram todas as corridas.

Em 1951, Enzo Ferrari decidiu seguir um novo rumo. Adotou a opção permitida pela Fórmula 1 de utilizar um motor de 4,5 normalmente aspirado. Ele produzia menos potência, porém consumia menos combustível do que as formidáveis Alfas. Em algumas ocasiões, no inicio da temporada, esses carros quase se equipararam, mas a Ferrari 375 simplesmente não se mostrou suficientemente veloz.

Contudo, o circuito de Silverstone era perfeitamente satisfatório e, na sessão de treinos, Frolian Gonzales registrou ali a primeira volta a 160 kpm. Até mesmo Fangio, na melhor as Alfas, foi um segundo mais lento. Ao ser autorizada a largada, foi Felice Bonetto, com uma Alfa quem assumiu a ponta, mas logo a seguir Gonzales e Fangio que também lutavam pela liderança, o ultrapassaram. Fangio passou a frente depois de dez voltas, e nas quinze voltas seguinte colocou uma vantagem de cinco segundos. Mas Gonzales tinha motivos para se preocupar; apesar do seu confortável segundo lugar, sabia qua a Alfa iria precisar de mais combustível do que a Ferrari.

Fangio tentou todos os truques possíveis para obter uma vantagem suficiente e então fazer a sua parada, mas estava exigindo mais do que a Alfa poderia lhe proporcionar. Gonzales ainda conseguiu ultrapassá-lo novamente antes que a Alfa fizesse sua parada, na 48ª volta. Quando Fangio perdeu 49 segundos na parada para reabastecimento e troca de pneus, Gonzales tranquilamente diminuiu um pouco o seu ritmo e ainda estava 36 segundos à frente de Fangio quando retornou à pista. Nas treze voltas seguintes Gonzales realmente pisou fundo e estava um minuto e meio à frente da Alfa quando fez uma rápida parada planejada que durou apenas 23 segundos. A partir de então só precisou completar as vinte e nove voltas restantes e dar a primeira vitória histórica a Ferrari.

Foto: The Cahier Archive

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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