Análise: Por que a Superliga Feminina tende a ser o carro-chefe, em termos de interesse do público e a mídia?

Análise: Por que a Superliga Feminina tende a ser o carro-chefe, em termos de interesse do público e a mídia?

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terça-feira, 11 agosto 2020
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Um assunto é unânime dentre a crise que afeta o mundo: pandemia. Porém, não só questões sanitárias, mas, também, a maneira de comercializar produtos e marcas. Desse modo, no esporte, a bilheteria ainda é um fator determinante para a valorização de tal evento, competição, modalidade. Assim, é hora de falar sobre Superliga Feminina e Masculina de vôlei.

Por: Artur de Figueredo, Mogi das Cruzes – SP

A Italiá, país da mais importante Liga de Vôlei, haverá uma redução de 50% nos investimentos. Entretanto, em outras grandes praças, como Europa, Estados Unidos, Japão, China e o mercado latino-americano, também veremos uma diminuição. Contudo, no Brasil, a situação se define como mais grave, pois já vemos uma debandada de atletas e até fim de importantes equipes do cenário nacional. Por fim, mesmo diante da calamidade e crise sistêmica, a Superliga Feminina desponta como o carro-chefe do público e da mídia especializada.

MERCADO X PANDEMIA

Primeiramente, ao contrário do vôlei masculino, que teve uma desordem acentuada de atletas, técnicos e clubes, o feminino ainda respira. Em contrapartida, mesmo com a crise, os clubes não deixaram de investir. Todavia, com uma certa cautela.

O Minas fechou com duas americanas: Danielle Cuttino e Megan Hodge. Além disso, manteve a base de sucesso, com Gattaz, Thaísa, Leia e Macris – trouxe também Pri Daroit. O tradicional clube mineiro ainda espera a definição de Sheilla para fechar a equipe para a próxima temporada.

O Praia Clube trouxe duas estrangeiras: junta-se a equipe de Uberlândia, a irmã de Brayelin, Jineiry Martínez e a outra estrangeira, conhecida do vôlei brasileiro, a holandesa Anne Buijs. Ainda repatriaram Mari Paraíba, vindo da Itália.

Ademais, o Osasco pensou no mercado interno, investindo em atletas jovens. Porém, o destaque ficou com a chegada de uma experiente: a oposta Tandara. O Sesi Bauru manteve a espinha dorsal da equipe e sua principal oposta, a atleta que se naturalizou como cidadã do Azerbaijão, Polina Rahimova. A estrangeira foi um dos grandes nomes da última Superliga Feminina, atuando pelo time do interior paulista.   

O Sesc foi mais um time que teve mudanças na Superliga Feminina. Ao contrário do que se pensa, as alterações vieram no aspecto “marketing”, e não em mexidas no plantel. Inclusive, com a parceria com o Flamengo, a equipe do técnico Bernardo Rezende. Por fim, os cariocas não fizeram alto investimento, mas adotaram a política “pés no chão”: observando jovens talentos, como a oposta Lorenne e a levantadora Juma – ambas, vieram do São Paulo Barueri.

SUPERLIGA MASCULINA

A Superliga Masculina perdeu jogadores importantes em quase todas equipes. Até o poderoso Cruzeiro, que preferiu olhar para a base: vendeu os opostos Luan e o campeão olímpico Evandro, para recuperar outro jovem, feito nas categorias de base, o oposto Alan, e aposta em mais um garoto, Oppenkoski, sob a batuta do técnico Marcelo Mendez, além do cubano Angel López que veio do UPCN da Argentina.

Além disso, Sesi e Sesc deram as mãos. Apesar do clube paulista não ter o mesmo fim da equipe carioca, ambos passaram por um processo de reestruturação. Com o retrato econômico vigente, o Governo Federal fechou a torneira e cortou verbas de incentivo fiscal, atingindo em cheio os clubes que usam o programa para fortalecer seus elencos. Ademais, Sesi levará uma equipe formada por jovens, com um único remanescente, o experiente líbero, Murilo Endres, que contará mais uma vez com o sobrinho, Eric Endres (filho do campeão olímpico, o central Gustavo).

O Taubaté, na mesma toada da crise, antes até mesmo da pandemia, já negociava com a prefeitura e parceiro o pagamento de salários atrasados. Mesmo diante um quadro pessimista, o dirigente Ricardo Navajas foi em busca de apoio para definir a equipe. Com a perda significante do ponteiro Lucarelli, negociado com o Trentino da Itália, repatriou o levantador da seleção, Bruno Rezende, além do ponteiro Maurício Borges e as apostas nos opostos Felipe Roque e Gabriel Cândido.

ALTA DO DÓLAR

Primeiramente, em rodas de vôlei, o que se pode refletir: o vôlei masculino perdeu muito atletas, além das saídas de equipes, como Sesc, e diminuição acentuada de investimento do Sesi São Paulo. Cruzeiro, de forma mais pontual, fez contratações eficientes para as posições mais carentes. Por outro lado, o Campinas, soube olhar bem o mercado e trouxe atletas de bom nível, em termos de competitividade, contratando profissionais remanescentes da crise que atinge o país.

Em paralelo, a Superliga Masculina se polarizará em 2 equipes: Cruzeiro e Taubaté. Com a alta do dólar, o investimento em jogadores vindos de fora caiu drasticamente. Em contrapartida, a saída de atletas foi o principal contexto para a confirmação de um quadro pessimista para os homens.

No feminino, o investimento também foi moderado. A debandada de atletas, porém, foi muito menor, o que polariza uma competição mais aberta entre mais equipes. Minas, Praia, Sesc, Osasco, Sesi Bauru.

MÍDIA

Com o aumento na competitividade na Superliga Feminina, mesmo com público limitado, por conta do protocolo da OMS (Organização Mundial de Saúde), respeitando questões como distanciamento e higienização. É claro e notório, que a permanência de atletas e equipes, determinam um padrão de interesses do público, patrocinadores e a mídia, por si só.

Por fim, vivendo o hiato, apostando nos jovens, a Superliga Masculina é um verdadeiro laboratório que chama atenção para captação e formação de novas gerações. Diante de um quadro de incógnitas, o mercado dita as regras e os pré-requisitos para o sucesso.

Foto destaque: Reprodução/Yuri Laurindo

Artur de Figueiredo

Artur de Figueiredo

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