A relação de gênios da música brasileira com os clubes de futebol através dos hinos

A relação de gênios da música brasileira com os clubes de futebol através dos hinos

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quinta-feira, 16 fevereiro 2017
Futebol Brasileiro

O jornalista Bob Fernandes, um dos convidados do programa “Na Sala do Zé”, do colega José Trajano, contou, na última terça-feira, uma história curiosa e engraçada. Autor de um livro sobre o Bahia, tentou, por três meses, falar com João Gilberto ao ser informado de que o músico teria gravado uma versão do hino do tricolor baiano. Um dia, o intérprete de “Desafinado” retornou a ligação. Questionado sobre a veracidade da história,  João respondeu: “Não, eu sou Galícia”, indagando o jornalista em seguida: “como é o hino do Bahia?”. Bob Fernandes, então, cantou: “Somos da turma tricolor / Somos a voz do campeão / Somos do povo o clamor…”. João Gilberto gostou tanto que pediu bis.

Lamartine

O compositor Lamartine Babo, autor dos hinos populares dos clubes cariocas, em foto tirada por Dorival Caymmi.

A relação entre música popular brasileira e hinos de clubes de futebol, contudo, vai além. A ponto de músicas populares criadas por gênios do nosso cancioneiro substituírem hinos oficiais, mais pomposos, elitistas e formais.

No Rio de Janeiro, os versos que até hoje ecoam entre torcedores dos cinco grandes clubes (Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco e América), entre outras equipes, têm a autoria de Lamartine Babo, o Rei do Carnaval. Na década de 1940, o compositor apresentava um programa na Rádio Nacional chamado “Trem da Alegria” e decidiu homenagear os times cariocas com seu talento, executando suas criações em forma de marchinhas ao longo da programação.

Lamartine imortalizou versos como “Eu teria um desgosto profundo/Se faltasse um Flamengo no mundo”, “Campeões com a pelota nos pés/Fabricamos aos montes, aos dez” (hino do América, seu time de coração) e “Tua estrela/Na terra a brilhar/Ilumina o mar”, hino popular do Vasco da Gama.

Em seu livro-CD “Os Hinos do Futebol Carioca – de Coelho Neto a Lamartine Babo”, o professor e músico Bruno Castro conta que, além dos hinos populares de Lamartine, Vasco, Fluminense, América e Botafogo têm, cada um, mais dois hinos oficiais.

Outro torcedor privilegiado com uma composição de um mestre da música popular brasileira é o gremista. Em seus versos, Lupicínio Rodrigues, além de dizer que estará com o Grêmio onde quer que o clube jogue, ainda homenageia um atleta, o goleiro Eurico Lara, que defendeu a meta do tricolor gaúcho entre 1920 e 1935: “Lara o craque imortal/Soube o seu nome elevar/Hoje com o mesmo ideal/Nós saberemos te honrar”.

* crédito da imagem destacada: Divulgação/Canal Arte 1

Leonardo Guandeline

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