A história e os momentos mais marcantes do GP Brasil de Fórmula 1

A história e os momentos mais marcantes do GP Brasil de Fórmula 1

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quarta-feira, 08 novembro 2017
Fórmula 1

História

Deus criou um terreno especial para Interlagos, nós só tivemos que descobrir que era para ser um autódromo. Interlagos é o circuito de melhor visibilidade do mundo. E mais antigo que a Fórmula 1, foi cenário dos 500 quilômetros de Interlagos e Mil milhas brasileiras. Em 1972, com a chegada da Fórmula 1, Interlagos ganhou notoriedade mundial.

O traçado, inaugurado na década de 40, tinha curvas e retas de todas as características: alta, média e baixa velocidades. Um dos trechos mais espetaculares era a sequência das curvas 1, 2 e 3, que ia da reta dos boxes até o fim do Retão. Era ponto de honra percorrer as três curvas com o pé embaixo, “flat”, como se diz no jargão automobilístico.

E no ano de 1972, Carlos Reutemann venceu o 1º Grande Prêmio do Brasil realizado em Interlagos em caráter extra-campeonato no mês de março. Essa foi a primeira experiência para a inserção do GP Brasil no calendário oficial do circo. A pista foi aprovada por todos numa prova onde além de Lole, participaram grandes nomes do automobilismo mundial como Ronnie Peterson, Peter Gethin e Henri Pescarolo, além dos brasileiros José Carlos Pace, Luiz “Peroba” Bueno e dos irmãos Fittipaldi.

Primeiro pódio em Interlagos:
1º Carlos Reutemann (ARG/Brabham/Ford Cosworth)
2º Ronnie Peterson (SUE/March/Ford Cosworth)
3º Wilson Fittipaldi (BRA/Brabham/ Ford Cosworth)

 

Vista noturna do autódromo de Interlagos. Foto: Abril Press

 

Interlagos recebeu a última prova no traçado antigo em 1980. Após isso, Jacarepaguá foi palco do GP Brasil até o ano de 1989. Durante este hiato, pelas mãos da então prefeita Luiza Erundina, o autódromo passou por uma reforma em seu traçado e em suas instalações para voltar a sediar a principal prova do automobilismo nacional. A pista foi novamente sede do GP Brasil em 1990, fato este que permanece até os dias de hoje.

Em 1989 começaram a reforma de Interlagos para o GP do Brasil voltar para a capital paulista. E a grande reforma foi necessária, primeiro, porque a F-1 moderna não comportava mais circuitos de longa extensão, pois as corridas tinham poucas voltas e eram pouco atraentes para as transmissões de TV. Depois, porque o traçado, que tinha alguns trechos muito velozes, ficou perigoso e os custos de construção de novas áreas de escape inviabilizariam uma adaptação às novas exigências de segurança da categoria.

O novo traçado eliminou curvas históricas, como as 1 e 2, substituídas pelo S do Senna, e a do Sargento.. Tradicionalmente, Interlagos é conhecido pelas 10 curvas identificadas por nomes até mesmo nos registros oficiais da FIA. Porém, o site oficial da FOM, aponta 15 curvas no traçado do circuito, separando as duas curvas aglutinadas no S do Senna, e relacionando outras só identificadas por números. Assim, segundo a FOM, o circuito tem o seguinte desenho:

1 – Reta dos boxes; 2 – Curva 1: 3 – Curva 2; 4 – Curva do Sol; 5 – Reta oposta; 6 – Curva 4; 7- Curva 5; 8 – Curva 6; 9 – Laranjinha; 10 – Curva 8 (também conhecida como Curva do S); 11 –Pinheirinho; 12 –Bico de Pato; 13 – Mergulho; 14 – Junção; 15 – Subida dos boxes; 16 – Curva 15, Entrada dos boxes.

A reinauguração do autódromo ocorreu no dia 23 de março de 1990, com a vitória do francês Alain Prost, seguido pelo austríaco Gerhard Berger e pelo brasileiro Ayrton Senna.  E foi no GP Brasil de 2003 que o autódromo de Interlagos passou por sua maior e mais cara reforma. A Prefeitura investiu 24,5 milhões de reais, mas teve como recompensa a aprovação dos fiscais da FIA e os elogios de dirigentes e pilotos.

Para o GP deste ano, Anitta será a responsável por cantar o Hino Nacional poucos minutos antes da largada, entrando para o rol das cantoras que tiveram a mesma oportunidade de fazer parte da cerimônia de abertura do GP brasileiro, como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Margareth Menezes e Fafá de Belém.

 

Reta dos boxes do traçado de Interlagos nos anos 70. Foto: Abril Press

 

O GP Brasil de Fórmula 1 é o maior evento esportivo internacional da América do Sul e atrai cerca de 150 mil pessoas nos três dias de treinos e prova e movimenta o turismo na cidade de São Paulo.

 

Primeira alegria

O primeiro GP Brasil oficial foi realizado no dia 11 de fevereiro de 1973, após o primeiro título de Emerson Fittipaldi. Naquele GP realizado em 40 voltas no traçado antigo, o fanático público brasileiro estava em polvorosa aclamando o seu mais novo ídolo. O Rato não decepcionou e conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1 em solo brasileiro a bordo de seu Lotus JPS, superando ninguém mesmo que Jackie Stewart.

Emerson Fittipaldi da Lotus recebendo a bandeirada pela vitória no GP do Brasil. Foto: Veja SP

 

O surgimento de um novo ídolo brasileiro

Em 1975, Emerson Fittipaldi já havia conquistado seus dois títulos mundiais e o Brasil olhava com muito carinho para o automobilismo, uma paixão que crescia no país a cada dia. O GP Brasil daquele ano seria realizado no fim de janeiro e havia uma grande expectativa para uma corrida que contava com o bicampeão Emerson Fittipaldi, além da estreia da brasileiríssima “Copersucar” Fittipaldi, a equipe que carregava os sonhos dos irmãos Fittipaldi e de toda uma pátria de fanáticos pela velocidade. Mas quem roubou a cena foi José Carlos Pace. Pilotando sua Brabham Martini, Moco conquistou de forma magistral a sua primeira e única vitória na Fórmula 1. Ironicamente, Pace nunca mais teve a chance de vencer na categoria, após sofrer um acidente de avião em 1977 e nos deixar prematuramente. A alegria que Moco nos deixou foi compartilhada a Emerson Fittipaldi, que fez o segundo lugar naquela corrida. Foi a primeira dobradinha brasileira na Fórmula 1. Graças a inesquecível vitória, o circuito de Interlagos tem o nome de José Carlos Pace numa justíssima homenagem ao eterno Moco.

Pace conquista a vitória no Brasil em 1975. Foto: Almanaque da Fórmula 1

 

Primeira vitória de Piquet no Brasil

Em 1983, Nelson Piquet já era campeão mundial, mas ainda não vencera no Brasil. E os treinos de classificação, indicavam que seria uma corrida difícil. A pole ficou com Keke Rosberg, em segundo Alain Prost, em terceiro Patrick Tambay, enquanto Piquet ficou em quarto. Piquet trabalhou visando a corrida, o que ficou bem claro na segunda volta, quando ele passou Prost e foi atrás de Rosberg. Depois de quatro voltas, Piquet passou o finlandês no fim da reta e sua vitória se definiu.

 

Piquet na Williams

Em 1986, no seu primeiro ano na Williams, Piquet tinha a seu favor a extraordinária potência dos motores Honda e a prova de abertura do campeonato seria no Rio de Janeiro. A pole foi de Ayrton Senna, Piquet em segundo e Mansell em terceiro. Na largada Mansell forçou para se colocar em segundo, Piquet recolheu e foi para terceiro. Mansell pegou o vácuo de Senna e tentou ultrapassar na curva sul, Senna fez a curva por fora e Mansell não conseguiu controlar o carro e sua corrida terminou antes de completar a primeira volta. Piquet passou Senna na terceira volta e só perdeu a ponta para trocas de pneus. A vitória de Piquet e o segundo lugar de Senna deu ao Brasil sua segunda dobradinha.

 

Esforço extremo

Em 1991, Senna, bicampeão mundial, ainda perseguia a primeira vitória do GP Brasil. Essa primeira vitória viria no modo mais difícil. Senna liderava a maior parte da prova e perto do fim da corrida, Senna foi perdendo as marchas. Senna em um esforço extraordinário conduziu a McLaren com uma marcha só, a sexta. Senna foi ao limite extremo para superar fisicamente aquela condição adversa. Foi na garra, que Senna conseguiu cruzar a linha de chegada e finalmente comemorar a primeira vitória em solo brasileiro. O grito de Senna pelo rádio da equipe McLaren foi um dos momentos mais emocionantes vivido pela Fórmula 1. Pelo esforço, Senna parou o carro na reta oposta e precisou de atendimento. Com heroísmo, Senna fez o impossível!

 

Foto: Getty Images

Caos na zona sul paulistana

Em 2003, Rubens Barrichello fez a pole e tinha totais condições de vencer o GP Brasil daquele ano. Chovia forte e a largada foi dada com safety car. Na sétima volta, enfim os pilotos foram liberados para pisar fundo. Coulthard assumiu a ponta enquanto Barrichello perdia inúmeras posições, com pneus Bridgestone ineficientes para aquelas condições extremas.

Vários pilotos foram vítimas da Curva do Sol. Num trecho empoçado, Pizzonia foi o primeiro a aquaplanar a ir a barreira de pneus. Montoya bateu no mesmo lugar. Pouco depois, Michael Schumacher sofreu do mesmo mal. Button foi outra das vítimas. O trecho era simplesmente terrível, mas a pista começou aos poucos a secar. Foi aí que Barrichello recuperou rendimento e teve a chance de assumir a ponta na volta 45 sobre David Coulthard em grande recuperação. Uma pane seca, duas voltas depois, tirou o pão da boca de Rubinho, que inconsolável abandonou o GP Brasil mais ganho de sua vida.

A corrida de 2003 não desistia de ser marcante. Mark Webber bateu com força no Café, na volta 54. Alonso não viu e bateu na sujeira do acidente, causando outra batida fortíssima. Alonso saiu tonto do carro, motivo para que a direção da prova não pensasse duas vezes antes de encerrar a prova ali mesmo. Havia a dúvida até do vencedor da prova. Fisichella comemorou com o carro em chamas nos boxes, mas na hora quem levou foi Räikkönen num pódio incompleto. Dias depois a vitória foi dada a Giancarlo Fisichella, que levou a decadente Jordan a sua última vitória na categoria e obteve provavelmente o triunfo com o carro mais fraco em todos os tempos na Fórmula 1.

Fisichella, foi declarado vencedor do GP posteriormente, dias após a corrida. Foto: Contos da F1.

 

Campeão por alguns segundos

Chuva e Interlagos, uma combinação perfeita para uma corrida emocionante. Felipe Massa e Lewis Hamilton chegaram como candidatos ao título de 2008 na corrida brasileira. Hamilton tinha a vantagem na pontuação, portanto Felipe Massa precisava vencer a prova e torcer para que Hamilton chegasse no máximo em sexto. Felipe Massa fez uma prova segura do começo ao fim, sempre na ponta e com extrema inteligência debaixo de chuva.

Hamilton teve mais sustos durante a prova. Largou em quarto, caiu na classificação, subiu, perdeu a posição para Vettel de Toro Rosso e se viu fora da conquista de um título que parecia tão simples. Felipe Massa em corrida perfeita cruzou em primeiro, comemorando a vitória e o título naquele instante, já que a sexta posição não era suficiente para que Hamilton conquistasse o título.

Na última volta a pista era extremamente irregular, secando e molhando a cada segundo. As BMW voavam uma volta atrás, enquanto Timo Glock de Toyota seguia na pista com pneus de pista seca enquanto o traçado molhava justamente na última volta. Na última curva o alemão não aguentou, Hamilton passou e alcançou no limite os pontos que precisava para vencer o campeonato. Felipe Massa ficou sem um título merecido e Hamilton já é tetracampeão, após uma prova que de certa forma afetou para o bem e para o mal a carreira dos dois pilotos.

 

GP Brasil de 2008. Foto: Getty Images

 

Fontes de pesquisa:
https://www.terra.com.br/esportes/infograficos/historia-gp/
https://www.gpbrasil.com.br/pt-br/historia-do-circuito

 

Foto em destaque: Abril Press

 

Redatores: Luiz Máximo Morelo, Danilo Dias e Paulo Arnaldo, de São Paulo.

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo, paulista, CEO da Poliesportiva, jornalista, apresentador e narrador esportivo. Conhecido no meio jornalístico como P.A., Paulo Arnaldo tem vasta experiência desde 2008 no jornalismo e[...]

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