A grandiosidade do desafio do Rali Dakar

A grandiosidade do desafio do Rali Dakar

1
1217
0
sábado, 07 janeiro 2017
Automobilismo

O homem é movido por desafios! E desafios fazem parte do nosso cotidiano. Só que uma parte de nós humanos, buscamos desafios com grandiosidade. Todos os dias, alguns escalam montanhas, atravessam longas distâncias, resistem condições extremas e superam limites. Todos os anos, o Rali Dakar representa o maior desafio para humanos e máquinas. A pura ação de mover-se por longas distâncias em velocidade rumo ao infinito.

dakar-1Na história da humanidade, esse espírito esteve presente nas longas expedições, quando atravessar um oceano em uma caravela era muito para um seres humanos. Foi assim, que o homem do Velho Mundo descobriu a América. Desafiar um deserto já era uma prática de longa data. Homens desafiavam e percorriam longas distâncias com cavalos. Ou seja, o rali já existe há muito tempo.  Essa essência permanece nos dias atuais, em forma de competição e presente nas competições de rali. Para cada competidor é a essência da superação e descoberta.

A história do Rali Dakar começou em 1977 e nasceu diante de uma situação vivida por um piloto que competia uma outra competição de rali. O francês Thierry Sabine participava do Rali Abidjan-Nice à bordo de uma moto. Nessa época, não havia suporte ou estrutura de socorro eficiente ou uma melhor eficiência para monitorar os competidores. Sabine se perdeu no deserto do Saara durante a competição. As buscas, sem sucesso, duraram cerca de 3 dias. A morte esteve ao seu lado. Já numa condição exrrema o piloto esteve próximo de suicidar.  Mas quis o destino que antes disso, Sabine tenha sido avistado por um avião monomotor que o salvou da morte. Diante da quase morte, nascia o Rali Dakar. O francês se apaixonou tanto pelo deserto, que ele não teve dúvidas de criar uma prova de rali de longa distância com um trajeto que ligasse Europa e África passando pelo deserto do Saara.

dakar-6A largada do primeiro Paris Dakar ocorreu em 26 de dezembro de 1978, em frente à Torre Eiffel com 170 participantes que largaram de Paris. Nesse primeiro desafio do Paris Dakar, 69 vitoriosos, heróis conseguiram alcançar a chegada O primeiro campeão dessa prova foi o jovem francês Cyril Neveu, a bordo de uma Yamaha XT 500. O Paris Dakar,  ganhava fama no mundo inteiro, como a maior prova off-road já inventada pelo homem.  Palavras de Thierry Sabine: ” O Paris Dakar é um desafio para os que vão. Um sonho para os que ficam”. Só que também o Rali Paris-Dakar ganhou a fama de rali da morte. Foram 70 mortes registradas desde 1979, onde desses, 28 eram competidores.

 

Infelizmente, alguns anos depois faleceu o fundador do Paris-Dakar. Justamente trabalhando na edição de 1986, num acidente de helicóptero durante um sobrevoo pelas dunas de Mali. Em memória, as cinzas de Thierry foram levadas para o deserto do Ténéré, e lá foram espalhados em volta da Arbre Perdu – “a árvore perdida”,

dakar-5Foi ainda nos anos 80, que a competição começou a ganhar popularidade. A cada ano atraindo cada vez mais competidores, com um recorde de 603 veículos inscritos. O Paris-Dakar contava com cada vez mais profissionais da elite do automobilismo, que viam na corrida no deserto a chance de enfrentar um desafio diferente.  Por isso, a lista de lendas do automobilismo que também participaram (e se deram bem) no Paris-Dakar é surpreendente: Henri Pescarolo, Juha Kankkunen, Jacky Ickx e Ari Vatanen são só alguns dos nomes.

Em seus 40 anos de existência, o rali não foi disputado apenas uma vez, em 2008. Infelizmente, eminentes ataques terroristas na Mauritânia forçaram os promotores a cancelarem a edição daquele ano. Ameaças de grupos terroristas existiram por alguns anos, em edições anteriores a 2008. Porém, o que motivou o cancelamento foi por que quatro cidadãos franceses e três soldados mauritanos foram assassinados.  Três semanas depois, um atentado terrorista em Nouakchott, na Mauritânia, confirmou a ameaça e o ato de terrorismo.

dakar-4À partir de 2009, o rali Paris Dakar migrou para América do Sul, por apresentar condições similares ao encontrado no continente africano. Na América, há desertos, montanhas e um pouco mais de segurança aos competidores. Até por que, na América do Sul, há cidades mais próximas nos trajetos.  O grande desafio de atravessar um deserto fica por conta do Atacama. E tem as longas jornadas, aventuras ao lado da cordilheira dos Andes. O agora renomeado Rali Dakar pode ter perdido um pouco do espírito do “rali da morte”. Talvez tenha diminuído um pouco a grandiosidade desse desafio. Porém, os competidores seguem bravamente desafiando a morte, o limite e as longas distâncias. O espírito do criador, Thierry Sabine se mantém presente.

 

Por Luiz Máximo e Paulo Arnaldo

Fotos: Divulgação/ASO

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo, paulista, CEO da Poliesportiva, jornalista, apresentador e narrador esportivo. Conhecido no meio jornalístico como P.A., Paulo Arnaldo tem vasta experiência desde 2008 no jornalismo e[...]

555 posts | 2 comments

Menu Title