A cruz na beira do estradão

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segunda-feira, 12 junho 2017
Automobilismo

Em Kilmary, interior da Escócia, o cemitério nos fundos de uma igreja tem um túmulo em cuja lápide, podemos ler: “Em memória de Jim Clark, Campeão Mundial de Automobilismo”. A homenagem deixa claro que ele sempre foi, e será lembrado pelos conterrâneos como um menino que nasceu no dia 4 de março de 1936, e cresceu naquela região da Escócia. Tinha quatro irmãs e era o caçula.

Em 1960 estreou na Fórmula 1, no GP da Holanda, pilotando uma Lotus, e na quinta corrida do ano conseguiu o seu primeiro pódio, um terceiro lugar no GP de Portugal. Em 1961, um acidente entre ele e o alemão Wolfang Von Trips, da Ferrari, em Monza, matou 13 pessoas do público. Em 1962, conseguiu sua primeira pole e a primeira vitória. Em 1963, pela primeira vez campeão, com sete vitórias e junto com a Lotus, começou um projeto para vencer as 500 Milhas de Indianápolis. Em 1965, bicampeão mundial com seis vitórias, é o primeiro escocês a vencer as 500 Milhas de Indianápolis.

1968 o ano que não terminou! Jim Clark não queria ir para a Alemanha disputar aquela prova de Fórmula 2. Estava combinado que ele iria disputar uma corrida de protótipos em Brands-Hatch (Inglaterra), pilotando um Ford. Mas a Lotus mandou ele ir para Hockenheim, onde faria sua última corrida. Era comum os pilotos naquele tempo disputarem corridas de outras categorias. Era o dia 7 de abril de 1968, a pista estava molhada, na quinta volta da primeira bateria Jim Clark perdeu ocontrole do carro a 240 km/h e se chocou contra uma das árvores que ficavam bem perto da pista. Nunca se soube o motivo do acidente. Uma das teorias é que Jim Clark havia se desviado de um espectador que atravessara a pista; a outra é que um pneu se esvaziara e ele perdeu o controle. Não importa o motivo, Jim Clark era o piloto mais querido da Fórmula 1.

A morte do escocês, também significou o fim da era romântica da Fórmula 1, pois era o momento em que grandes empresas entravam como patrocinadores da categoria. O próprio Jim Clark venceu seu último GP, na África do Sul, com uma Lotus (sua única equipe na Fórmula 1) pintada com o vermelho e dourado dos cigarros Gold Leaf. Ainda hoje em Hockenheim, uma pequena cruz com o nome de Jim Clark e a data de sua morte, marca o local aproximado do acidente. Uma chicane foi construída uns 50 metros antes, para aumentar a segurança. Os britânicos sentiram a dor de perder alguém que eles consideravam um verdadeiro monarca do esporte. Jim Clark foi e é para eles o mesmo que Ayrton Senna é para os brasileiros. E a maior homenagem veio do companheiro de equipe, Graham Hill, que conquistou e dedicou a ele o título mundial daquele ano.

Jim Clark não era apenas outro campeão mundial, mas a prova viva de que os bons moços, que jogavam limpo, ganhavam de forma espetacular.

Foto: getty-images

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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