Clássicos do automobilismo: A caminho do título

Clássicos do automobilismo: A caminho do título

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segunda-feira, 07 agosto 2017
Automobilismo

Emerson recebeu a camisa 10 enviada por Pelé na semana do GP da Áustria de 1972. Venceu a corrida com o mesmo carro e o mesmo motor do ano anterior. Claro, teve alguns detalhes modificados para melhor; suspensão, aerofólio, freios, etc. Mas era o mesmo carro que Emerson usava desde 1970, e seu motor um série 11, que já estava com mais de 700 km de uso desde sua última revisão.

Antes da largada, Emerson era a única pessoa calma no boxe da Lotus; Colin Chapman não conseguia disfarçar o seu nervosismo. E, quando Emerson foi olhar os trabalhos dos mecânicos que faziam os acertos finais do carro, viu que a mão de um deles tremia tanto que mal conseguia acertar o gargalo do óleo do câmbio. Brincou um pouco com eles, para atenuar a pressão. Na verdade sua única preocupação naquele momento era saber se o carro suportaria ou não o esforço de mais uma corrida.

A seguir chamaram os pilotos para alinhar. Emerson largaria na primeira fila, ao lado de Clay Regazzoni. E, embora tivesse feito o melhor tempo de classificação, foi obrigado a alinhar por fora enquanto que a Ferrari de Regazzoni sairia no lado interno da pista. Na segunda fila vinham Jackie Stewart e Peter Revson. Na volta de apresentação, Emerson evitou esquentar demais o motor, pois naquele dia encalorado poderia ter problemas. Conseguiu manter a temperatura da água a 75 graus, e desligou o motor para aguardar o sinal de um minuto para a largada.

Levantada a placa de um minuto todos os pilotos esperaram um pouco mais para ligar suas máquinas. Era uma jogada para evitar o aquecimento excessivo. Faltando 45 segundos, Emerson ligou o motor e, pelo retrovisor percebe que muitos mecânicos se movimentavam entre os carros na pista. Isso era motivo de preocupação. Verificando a temperatura da água o ponteiro já marcava 95 graus e o fiscal de largada não baixava a bandeira. Emerson levanta o braço avisando que vai largar, engata a primeira a faz sinal para Regazzoni fazer o mesmo e a largada veio em seguida.

Emerson largou bem, mas Jackie Stewart foi melhor e ultrapassou Regazzoni por dentro, obrigando a Ferrari a fechar o caminho da Lotus. Assim na primeira curva à direita, Regazzoni tinha meio carro na frente de Emerson, que sem opção teve de tirar o pé e entrar nessa curva atrás da Ferrari e estudar a possibilidade de uma ultrapassagem. Não poderia esperar muito tempo para esta tentativa, pois Stewart cada vez mais se distanciava na liderança.

O único lugar que ele poderia ultrapassar Regazzoni era na saída da curva de alta velocidade que começava logo após a reta dos boxes. Teria que sair dessa curva no vácuo da Ferrari. E na quinta volta ele conseguiu realizar essa manobra. Agora que era o segundo, teria que partir com tudo pra cima do escocês, que tinha uma vantagem de três segundos e se prevenir contra Dennis Hulme, que na volta de número quinze era o terceiro, a oito segundos.

Dennis Hulme estava cada vez mais perto, descontando um segundo por volta. Emersom precisava passar Stewart de qualquer jeito. Ele percebeu que o carro dele começava a perder estabilidade, saindo muito de frente nas entradas de curva. Poderia aproveitar uma freada de curva, como havia feito com Regazzoni. Fez duas tentativas em duas voltas consecutivas e falhou em ambas, então na volta vinte e cinco, desceu a reta colado no vácuo do Tyrrell, e quando chegou à curva Rossi, saiu do vácuo bruscamente, sem chances de Stewart reagir, e depois de frear um pouco depois dele, conseguiu ultrapassar pela direita.

Agora com pista livre, o negocio era abrir vantagem. Conseguiu abrir um segundo por volta sobre Stewart, que já estava sendo pressionado por Dennis Hulme. Quatro voltas depois o boxe sinalizou que Hulme era o segundo. Isso a vinte voltas do final. E a essa altura começaram a aparecer os retardatários. O primeiro foi Moco, que afastou para a esquerda e sinalizou para Emerson passar. Logo em seguida Wilsinho fez o mesmo.

Tudo continuava bem: pressão e temperatura do óleo, temperatura do motor, freios, câmbio, enfim tudo estava funcionando perfeitamente. Mas Hulme continuava pressionando e não dava folga. Nessa pressão, Emerson se manteve calmo e continuou andando no limite, ao mesmo tempo em que redobrava a atenção. Na última volta, firmou a vista para observar se não havia manchas de óleo na pista, e também para evitá-las, eliminando a possibilidade de uma derrapagem desastrosa.

Depois de receber a bandeirada, conseguiu escapar do assédio do publico que tinha invadido a pista, comemorou com Colin Chapman e com o pessoal da Lotus, antes de subir ao pódio para receber os troféus pela vitória. Um dos troféus, ele decidiu enviar para Pelé, em retribuição a camisa 10. Esse GP da Áustria foi realizado no dia 13 de agosto de 1972 no circuito de Osterreichring. Dennis Hulme fez a volta mais rápida, com o tempo de: 01m, 38s, 320, a média de 216,46 km/h. E Emerson Fittipaldi mostrou como vencer uma corrida e porque ele seria campeão mundial.

 

Foto: The Cahier Archive

Luiz Máximo Moreno Morelo

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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