O esporte a motor no Brasil está em xeque a cada dia que passa

O esporte a motor no Brasil está em xeque a cada dia que passa

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quinta-feira, 13 fevereiro 2020
Automobilismo

Essa será uma coluna totalmente opinativa, queridos leitores. De fato, como é difícil afirmar exatamente quando isso começou. Porém, os últimos capítulos colocam o esporte a motor no Brasil cada vez mais em xeque.

Por: Rodrigo Vilela, de Santos, SP.

Primeiramente, vamos tentar enumerar, só nessa década, alguns dos pontos negativos desta derrocada automobilística. Observem só! Destruição do autódromo de Jacarepaguá e Deodoro é só pra inglês ver. Rir e chorar, é claro. As idas e vindas da manutenção do autódromo de Curitiba que parece aquele episódio do Tom e Jerry. “Será que vai, será que não vai”. O descaso com a pista de Brasília (ainda existe?). Por fim, a iminente venda do circuito de Fortaleza.  Isso porque eu não falei dos vários campeonatos nacionais, especialmente os de monopostos, que encerraram suas atividades por falta de um mínimo de apoio.

As coberturas do esporte a motor no Brasil

Todavia, tudo isso se reflete na cobertura da grande mídia. Por exemplo, a não exibição dos treinos da Fórmula 1 em TV aberta. Sem contar que agora até o pódio é cortado sem piedade.  Lito Cavalcanti, Claudio Carsughi e Reginaldo Leme de fora das transmissões em suas respectivas casas ( sem entrar no mérito dos motivos, mas sempre sobra para a turma do não-futebol). Além disso, a Globo confirma que não renovou com a MotoGP e demitiu Guto Nejaim e Fausto Macieira.

A Band já tinha confirmado que não entrou em acordo com a Indycar. Portanto, ao que tudo indica, nem mesmo o Bandsports irá transmitir as provas dessa temporada. Ainda há a possibilidade da RedeTV transmitir e está em negociação. Porém, é uma situação incerta e complicada. Além do mais, a Fox Sports, que é a que mais tenta investir no esporte a motor, não terá mais o FIA WTCR e quase ficou sem o IMSA WeatherTech por uma intervenção da NBC Sports. Ainda bem que a IMSA interveio e ameaçou cassar os direitos da emissora americana. Porém, a Fox vive às voltas das incertezas após a compra da Disney e como será o canal brasileiro no futuro.

Autódromo de Jacarepaguá destruído para virar o Parque Olímpico: símbolo maior do descaso com o esporte a motor no Brasil (foto: O Globo)

Por fim, a última da lista, a DAZN não terá mais a transmissão da Fórmula 2 nem da Fórmula 3. Justamente num ano onde dois brasileiros estão confirmados na categoria “porta de entrada” para a Fórmula 1. Entretanto, à luz das transmissões oficiais, temos Fórmula 1, Copa Truck e Stock Car no Grupo Globo. Nascar, IMSA WeatherTech, WEC e Fórmula E na Fox Sports. Por fim, IndyCar e World SBK no DAZN… e só!

Sem contar as transmissões pela internet de algumas categorias. Mas como estamos no Brasil e sofremos ainda com a qualidade de estrutura e cobertura de sinal, Em suma, as transmissões na grande rede não atingem um grande número de pessoas. Ou, pelo menos, a quantidade que a TV consegue abranger. Será que nós, especialistas em esporte a motor no Brasil, teremos o que falar nos próximos anos?

Em alta velocidade

Tony Kanaan renovou por mais uma temporada com a A.J. Foyt para competir em apenas 5 provas em circuitos ovais. É triste e inadmissível ver um campeão da categoria – e da Indy 500 – além de correr no fundo do grid quase toda corrida, fazer a temporada de despedida, dessa forma.

Enquanto isso, Scott McLaughlin, bicampeão da Supercars pela equipe DJR Penske, testou na IndyCar pela equipe americana. E surpreendeu. A equipe quer coloca-lo em algumas provas em 2020. Talento ele já mostrou que tem. Resta saber se ele quer mesmo partir para o outro lado do Pacífico.

Aston Martin fora do DTM apenas um ano após a sua entrada, através da R-Motorsports. É um baque e eu tenho sérias dúvidas de como a categoria reagirá. Até o momento, apenas 14 carros no grid. A não ser que Audi e BMW – as montadoras que sobraram – topem inscrever mais alguns carros.

IMSA e WeatherTech, em um momento histórico, chegaram a um acordo para a unificação de suas categorias de protótipos. Na prática, podemos ver um mesmo carro disputar provas em Daytona, Sebring e Le Mans. Uma notícia brilhante!

Há algo de muito podre no imbróglio Superbike Brasil x equipe de Alexandre Barros x Federação Internacional de Motociclismo. Ou a verdade sobre os documentos falsos, em nome do SENAI e da FIM, aparecem definitivamente, ou será o prenúncio do fim da categoria no Brasil.

Carlos Col, presidente da Vicar, empresa que gerencia a Stock Car, declarou em entrevista que não é legal ver repetição de pistas numa mesma temporada. Concordo. Mas por que a categoria não usa da sua força e conhecimento para liderar um movimento de reforma dos autódromos que estão abandonados Brasil afora? Brasília, Guaporé, Tarumã, Caruaru, Fortaleza…

Por falar em Stock Car, um desfalque para a temporada 2020. Mas por uma causa bem “tchuco-tchuco de coisa fofa”: Bia Figueiredo está grávida pela primeira vez. Ela deve voltar só em Novembro, na penúltima etapa, em Goiânia. E brincou: “vai ter espaço kids na minha volta”. Toda a felicidade do mundo pra família, Bia!!

Rodrigo Vilela

Rodrigo Vilela

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