João “Sem Medo” e a Copa de 70!

João “Sem Medo” e a Copa de 70!

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segunda-feira, 08 janeiro 2018
Colunas

Em 1971, quando o Campeonato Brasileiro de Futebol foi criado, o Presidente da República era o General Emílio Garrastazu Médici, que ficou no poder entre 1969 e 1974. Médici era extremamente identificado com o futebol. Tão identificado a ponto de influenciar diretamente na convocação de jogadores para a Seleção Brasileira. Sim, aquele time fantástico que foi campeão do mundo em 1970, teve o dedinho do nefasto governo militar em sua formação. E por conta de tal influência, o treinador da Seleção à época, João Saldanha, perdeu seu cargo às vésperas da Copa do Mundo.

João Saldanha, jornalista esportivo, assumiu o comando técnico da Seleção Brasileira de Futebol em 1969. FOTO: Wikipédia

Na primeira Copa do Mundo transmitida ao vivo pela televisão – e a última exibida em preto-e-branco – a campanha brasileira foi extremamente vencedora. Na campanha do TRI, o Brasil superou os temidos Inglaterra e Uruguai e atropelou a Seleção Italiana na grande Final com uma impiedosa goleada por 4 a 1.  Entretanto, nem tudo foram flores, principalmente no processo de preparação daquela equipe que venceria a Copa.

Pela primeira vez na história nacional, o jornalista esportivo mais famoso do país à época assumia o comando técnico da Seleção. Mudou o apelido do time de “escrete canarinho” para “11 feras em campo”. Entretanto, João Saldanha, comunista assumido, tinha o temperamento explosivo, o que desagradava e muito o governo militar.  Não é à toa que ele tinha o apelido mencionado no título da coluna Toque de Letras desta semana. Episódios como a convocação de Dadá Maravilha, centroavante trombador do Atlético Mineiro e o caso dos possíveis problemas de visão dos jogadores Pelé e Tostão, foram polêmicas que acabaram por derrubar Saldanha do comando da equipe.

O treinador/jornalista cunhou a seguinte frase à época: “O general nunca me ouviu quando escalou o seu Ministério. Por que diabos teria eu que ouvi-lo agora?”.  Evidentemente que a pressão de Médici sobre João Havelange, presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos-  que posteriormente daria origem à CBF), além de um malsucedido amistoso pré-Copa em que a Seleção empatou em 1 a 1 contra o Bangu, custariam a demissão de Saldanha do comando técnico da equipe. Nem a anterior invencibilidade de 13 partidas à frente do time segurariam Saldanha no cargo. Zagallo assumiu o time na Copa e o final de história todos já sabem: Brasil tricampeão do mundo no Mundial do México.

Nada como iniciar este ano de Copa do Mundo, contando uma história deliciosa como essa! Semanalmente, intercalando com os fatos relevantes no esporte, lembrarei algumas dessas preciosidades do futebol para o internauta poliesportivo, aqui no site da arte do esporte. E para terminar a primeira Toque de Letras deste 2018 com uma brincadeira, não poderia deixar de relacionar a atual seleção brasileira com o atual presidente da nação: ainda bem que o mandatário nacional não se intromete na alçada do técnico Tite. Felizmente, para o sucesso do futebol da Seleção Brasileira.

Foto de capa: Youtube (reprodução) 

Ivan Marconato é repórter da Rádio Poliesportiva, Jornalista e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte escreve semanalmente neste espaço a Coluna Toque de Letras.

Ivan Luis Marconato Rocha

Ivan Luis Marconato Rocha

Jornalista profissional diplomado desde 1998, e pós graduado em Jornalismo esportivo e negócios do esporte. Atua em webrádio desde 2012. Já trabalhou em jornal de bairro, e por 10 anos na NET Serviços de Comunicação. É repórter da Poliesportiva, e escreve a Coluna Toque de Letras

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