‘Curumim’: documentário traz a relação da asa-delta com brasileiro executado por tráfico de drogas

‘Curumim’: documentário traz a relação da asa-delta com brasileiro executado por tráfico de drogas

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sexta-feira, 28 abril 2017
Esportes Radicais

Integrante da equipe campeã do primeiro pan-americano de asa-delta, em 1979, na Colômbia, e recordista brasileiro de permanência no ar, Marco Archer, o Curumim, tem uma relação de destino com a estrutura metálica utilizada para a prática de voo livre. Ainda adolescente, saltava de grandes pedras localizadas no Rio de Janeiro, onde nasceu e passou a maior parte da vida, para a liberdade, seja por diversão, adrenalina, como atleta ou instrutor de voo.

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Após um acidente com a asa-delta, Marco Acher, quando jovem, chegou a ficar 3 horas pendurado em um penhasco no Rio de Janeiro – Foto: Divulgação/Globo Filmes

Em “Curumim”, documentário dirigido por Marcos Prado, a vida de Archer é esmiuçada a ponto de levar o espectador a refletir muito sobre o drama no corredor da morte vivido pelo primeiro brasileiro executado por tráfico de drogas na Indonésia, país onde a pena capital só existe para alimentar corruptos. Antes de dizer qualquer frase feita do tipo “aqui no Brasil tinha era de ter pena de morte”, os autores deveriam assistir ao filme.

De família amazonense abastada, Marco Archer viveu, antes da prisão na Indonésia, de ostentação e de esportes radicais. Entre um ou outro salto e viagem ao redor do mundo, traficava maconha e cocaína. Até ser capturado, em 2004, por tráfico de drogas na Indonésia, no aeroporto de Jacarta. Como não tinha grana necessária (ele disse ter feito o transporte de 13,5 quilos de cocaína escondidos na asa-delta para pagar a dívida com um traficante que bancara despesas hospitalares quando Curumim se acidentou gravemente em um voo livre em Bali, alguns anos antes) para alimentar a voracidade de policiais, promotores e juízes corruptos, foi condenado à morte.

Na mesma Indonésia, um dos idealizadores dos atentados terroristas que causaram a morte de mais de 200 pessoas também em Bali (outubro de 2002) havia sido condenado a 9 anos de prisão. Além dele, um colega de cela italiano de Curumim, também detido com cocaína no aeroporto de Jacarta, passou alguns poucos anos na cadeia – o europeu teve de desembolsar quantia considerável antes que o caso ganhasse as manchetes dos jornais daquele país.

O documentário ainda traz a luta pela manutenção da sanidade e as angústias de Archer. Com uma câmera escondida na prisão, ele e seus companheiros de cela filmam a agonia no corredor da morte – o que viria a acontecer somente em 2015, onze anos após sua prisão -, tortura psicológica que confunde e corrói o cérebro do prisioneiro brasileiro (para dores decorrentes do acidente com asa-delta em Bali, ele tinha de comprar drogas (metanfetaminas) de carcereiros que jamais responderão por tráfico de drogas e serão também executados a tiros). Essas imagens foram entregues ao diretor do documentário e são intercaladas com depoimentos de pessoas próximas a Curumim, áudios de ligações telefônicas entre Marcos Prado e o protagonista e imagens de arquivo de tevê.

O desejo de Curumim é mostrado no documentário: que sua vida e seu drama fossem mostrados ao maior número de pessoas, para que jovens não seguissem o mesmo caminho. Independente de concordar ou não com o que ele fez e com o modo como ele deixou esta existência, o documentário, asfixiante, deixa uma brecha para as mais variadas conclusões, sobre a vida e a morte.

*crédito da imagem destacada: Divulgação/Globo Filmes

Leonardo Guandeline

Leonardo Guandeline

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